quarta-feira, 21 de novembro de 2012
A AUDIÇÃO DE UMA CRIANÇA FISSURADA
A AUDIÇÃO DA SOFIA
SOFIA CHEGOU HOJE DE BAURU. FEZ O RETORNO NO CEDALVI, UM LOCAL INCRÍVEL. GRAÇAS A DEUS O QUE JÁ HAVÍAMOS NOTADO UMA MELHORA NO QUADRO DA SOFIA,
POIS ELA RESPONDE ASSIM QUE CHAMAMOS SEU NOME, ADORA OUVIR MÚSICA, GALINHA PINTADINHA ENTÃO, É O DIA INTEIRO. NESSES DIAS FOI ENGRAÇADO COLOCAMOS O CD NO COMPUTADOR E UM FONE DE OUVIDO NELA, ELA DORMIU E ASSIM QUE RETIRAMOS O FONE ACORDOU. MINHA PRINCESA JÁ TEM SUA PERSONALIDADE BEM FORTE E DECIDIDA. FALA HÃ SE NÃO GOSTAR DO QUE FALAMOS , PRINCIPALMENTE AO CHAMARMOS SUA ATENÇÃO. ME IGNORA SE ESTIVER FAZENDO ALGO ERRADO, MAS SE FOR ALGO DO SEU INTERESSE OLHA IMEDIATAMENTO AO CHAMARMOS SEU NOME, SOFIA! APÓS LONGOS MESES DE EXPECTATIVA EM RELAÇÃO A SUA AUDIÇÃO, TENTANDO ESTIMULAR DE TODAS AS FORMAS, COM MÚSICAS, FILMES INFANTIS, BRINQUEDOS QUE EMITEM SOM E LUZ AO MESMO TEMPO, ENFIM SOFIA TEVE O DIAGNÓSTICO QUE TANTO ESPERAMOS, ELA NÃO TEM NENHUM PROBLEMA AUDITIVO, NEM CONDUTIVO, NEM NO OUVIDO MÉDIO, NEM SENSORIONEURAL OU DE QUALQUER OUTRO TIPO. A AUDIÇÃO DELA É PERFEITA. EU IMAGINAVA ISSO, MAS TINHA MEDO DO MEU AMOR DETURPAR MEUS SENTIDOS, POSSO DIZER APENAS QUE É MUITO BOM UM MÉDICO ATESTAR ISSO. NINGUÉM IMAGINA O QUE É PEGAR UM EXAME COM UM LAUDO DE PERDA AUDITIVA SEVERA DE UM LADO E MODERADA DE OUTRO, ESTÁ NO PRIMEIRO POST QUE FIZ. A ANGÚSTIA É INDESCRITÍVEL E FAZ 8 MESES PARECER UMA ETERNIDADE. SOFIA SÓ VAI RETORNAR EM BAURU PARA A CIRURGIA, JÁ ESTÁ ESPERANDO O AGENDAMENTO DA MESMA, DEVE OCORRER A PARTIR DE MARÇO DO ANO QUE VEM.
COMO PREOCUPAÇÃO DE MÃE NÃO TEM FIM, AGORA É ESPERAR A CIRURGIA E O DESENVOLVIMENTO DA FALA. A FALA É MINHA GRANDE PREOCUPAÇÃO! ENVOLVE UMA VIDA INTEIRA DA MINHA FILHA, IMAGINA NA FASE ESCOLAR? ELA FALA MAMÃ, MAMAR, MAMÃE, FALOU PAI UMAS 3 VEZES, MAS DEPOIS CHAMA TUDO DE MÃE MESMO. LINDA FICA IMITANDO OS SONS DA GALINHA PINTADINHA: A, E, O, BRINCA COM OS SONS, ADORA OUVIR SUA PRÓPRIA VOZ. A QUESTÃO DA AUDIÇÃO LÓGICO INFLUENCIA MUITO NESSA QUESTÃO E OBVIAMENTE ME SINTO COM MAIS ESPERANÇA, CADA VITÓRIA DA SOFIA TEM UM VALOR MONUMENTAL PARA MIM. SEGUE FOTOS DELA, MINHA PRINCESA ESTÁ CRESCENDO, LINDA E INTELIGENTE. CONTINUO A ESTIMULAR SUA INDEPENDÊNCIA, ESSE MÊS VAI PASSAR 20 DIAS COM A AVÓ QUE RESIDE EM OUTRO ESTADO, QUERO QUE CONHEÇA MEU AVÔ, BISAVÔ DELA, QUE VEJA GALINHA, GADO, OVELHA ENFIM QUE TENHA CONTATO COM OUTRO TIPO DE ROTINA.
terça-feira, 25 de setembro de 2012
CENTRINHO BAURU
NÃO TENHO PALAVRAS PARA DESCREVER ESTE LOCAL, QUE É O MELHOR HOSPITAL COM CERTEZA DE TODO O BRASIL. A SOFIA ESTÁ HOJE COM 6 MESES, NÃO ENGASGA, COME TUDO QUE OFERECEMOS, ESTÁ COM 7.500 KG E UMA SAÚDE DE DAR INVEJA Á QUALQUER BEBÊ. SORRI O TEMPO TODO....ENSAIA OS PRIMEIROS SONS. E OUVE, EU DISSE OUVEEEEEE TUDOOOOOOOO...SE ALGUÉM PRECISAR DE ALGUMA ORIENTAÇÃO POSTE UM COMENTÁRIO COM SEU E-MAIL OU ME ENVIE UM E-MAIL PARA PRINCESASOFIALIMA@HOTMAIL.COM, OU SE PUDER ME LIGAR DAS 11:30 ÁS 13
:00 OU A PARTIR DAS 18:00 HS
ABRAÇOS!
terça-feira, 10 de julho de 2012
TUBA AUDITIVA
INTRODUÇÃO:
Sabemos que a tuba auditiva é um canal virtual que comunica a nasofaringe ao orelha média. Sua função, além de proteção e limpeza, é equilibrar a pressão da orelha média com a pressão atmosférica.
Essa função é essencial para o bom funcionamento da orelha média na transmissão do som através dos ossículos.
A obstrução ou mau funcionamento da tuba pode levar a infecções na orelha média e perda auditiva temporária, onde essa perda pode ser prejudicial à criança tanto na escola como socialmente.
A disfunção tubária e a otite média são patologias comuns na nossa prática clínica. A sua incidência em crianças pode ser explicado devido a imaturidade do funcionamento da musculatura da tuba auditiva e horizontalização da mesma, o que facilita a passagem de secreções e partículas de alimentos para a orelha média.
Como audiologistas, muitas vezes, não paramos para pensar que seqüelas essas patologias podem trazer para o paciente, principalmente crianças nos primeiros anos de vida, onde o funcionamento da audição é primordial para o desenvolvimento da linguagem e fala.
Pensando nisso é que começamos a refletir o quanto a otite média poderia influenciar na linguagem da criança e como médicos e audiologistas atuavam na sua prática diária.
Será que após o resultado de um exame, onde diagnosticamos presença de otite média ou disfunção tubária prevenimos os pais sobre as seqüelas que podem acontecer e o que eles podem fazer para que a perda auditiva, mesmo que temporária, não prejudique o desenvolvimento do seu filho?
Estamos preparados para realizarmos uma avaliação audiológica mais global, onde o paciente seja visto não só como portador de uma otite média, e sim alguém que tem um problema na audição em um período crítico, onde a percepção auditiva é primordial para o seu desenvolvimento de linguagem?
Como os otorrinolaringologistas e fonoaudiólogos podem intervir para que as otites sejam diagnosticadas o mais precocemente possível?
Para responder ou pelo ao menos ajudar a entender melhor essas dúvidas, foi realizado um levantamento bibliográfico mostrando a anatomia, fisiologia e fatores que influenciam o funcionamento da tuba, a incidência das otites, o diagnóstico e características audiológicas, os tratamentos das otites e a influência da disfunção tubária e otites no desenvolvimento da linguagem e cognição.
DISCUSSÃO TEÓRICA:
A tuba auditiva, apesar de não está situada no ouvido médio, apresenta a mesma origem e unidade morfofuncional com a cavidade timpânica. O seu diâmetro no adulto é de 1 a 2mm, mas na criança é mais largo e mais horizontalizado, onde em relação ao adulto possui uma porção cartilaginosa mais curta e menos rígida.
É um tubo achatado a partir da parede anterior da cavidade timpânica, abrindo-se na parede lateral da nasofaringe com um comprimento aproximado de 37mm. A parte óssea (protímpano) é mais curta e situada no rochedo e a parte cartilaginosa perfaz 2/3 do comprimento total. A transição entre a parte óssea com a cartilaginosa, onde a tuba é mais estreita, é chamada de istmo e funciona como uma válvula.
Usualmente a tuba é fechada e se abre durante a deglutição, bocejo, espirro, permitindo que a pressão de ar do ouvido médio se equilibre com o ar atmosférico. Esse mecanismo de abertura é muscular e envolve porção cartilaginosa. Quando em repouso, gases são absorvidos dentro dos tecidos circundantes do ouvido médio, e cria uma ligeira pressão negativa no mesmo.(Ruben 1983).
A abertura da tuba auditiva ocorre através da constricção do tensor do véu palatino, onde o feixe medial do tensor do véu é responsável pela abertura da tuba e é chamado de músculo dilatador da tuba, porque na sua contração ocorre deslocamento da parede lateral no sentido latero-inferior.
O músculo elevador do véu tem uma ação passiva na abertura da tuba.
Albernaz; Ganança; Fukuda (1997) relatam que a tuba se torna permeável a entrada do ar quando há contração dos músculos elevador e tensor do tímpano, que diminuem o comprimento e aumentam o seu diâmetro .
As 3 funções fisiológicas importantes para orelha média, realizada pela tuba auditiva, é a proteção contra pressão e secreção; limpeza e ventilação para equilibrar a pressão dentro do ouvido.
Essa função de ventilação, chamada de pneumática, parece ser a mais importante, pois uma ventilação deficiente contribui para o desenvolvimento da maioria das otites médias. Além disso, o equilíbrio de pressão do ouvido médio com a pressão atmosférica é necessário para transmissão do som.
A função da tuba auditiva é menos eficiente nas crianças pequenas do que nas crianças mais velhas e adultos, talvez, porque a parede da trompa nas crianças seja mais frouxa e por isso, mais susceptível de perda auditiva, criando obstrução funcional. (Paradise 1980 e Bluestone & Cantekin 1979).
Essa pressão negativa da O.M. temporária pode levar a uma obstrução ou colapso da tuba. Se a trompa se encontra fechada começa a reabsorção de oxigênio e logo dos demais componentes. Isso diminui a pressão endotimpânica, sendo então o tímpano, tencionado para dentro, pela pressão atmosférica, podendo aparecer o extravasamento de líquidos. (Tato 1964; Jerger & Jerger 1989).
Quando o fechamento da tuba auditiva é transitório a obstrução da tuba é aguda, porém, se for uma obstrução mais prolongada a obstrução é crônica ( Thompson; Zubizarreta; Bertelli; Campos 1975).
A função anormal da Trompa de Eustáquio pode levar a surgimento da otite. Logo, saber a natureza exata desta disfunção exige um conhecimento do sistema constituído pelo palato, cavidade nasal, nasofaringe, trompa de eustáquio, ouvido médio e as células aéreas da mastóide ( Bluestone 1981)
Quando se aplica uma pressão negativa súbita no ouvido médio, como ocorre nas mudanças rápidas de pressão atmosférica na descida de um avião ou mergulho, a tuba pode ficar obstruída e impedir a passagem de ar. Do mesmo modo, se existe uma pressão negativa na parte da nasofaringe de uma tuba altamente complacente o fechamento da mesma também pode ocorrer.
Bluestone (1981) suspeita que quando a função da tuba é ineficiente o colapso da parede permanece. Neste caso, o intervalo entre as aberturas dependerá do estabelecimento de uma pressão gradiente entre a cavidade do O.M. e a nasofaringe que ajudará passivamente no seu funcionamento. Esse gradiente é alcançado justamente pela absorção de gás do O.M., que comentamos anteriormente, que resulta em uma pressão negativa.
Esse tipo de regulagem de pressão parece ser muito comum em crianças, porque tem sido identificado pressões negativas moderadas e elevadas no O.M. por meio da timpanometria em muitos que eram aparentemente normais.
Para Bess e Humes (1998) a otite média, que pode ser causada inicialmente pelo mau funcionamento da tuba, é considerada um problema econômico e de saúde importante, devido a sua prevalência, ao seu custo de tratamento, e ao potencial de complicações não médicas a longo prazo.
A otite geralmente é classificada de acordo com a duração do processo inflamatório. A otite média aguda, por exemplo, normalmente passará em todos os seus estágios de evolução em um período de 3 semanas. A doença começa com um início rápido e persiste por 1 semana ou 10 dias. Os sintomas que acompanham a O.M.A. incluem abaulamento, menbrana timpânica avermelhada, dor e infecção das vias aéreas superiores. Se essa doença persistir por 3 meses ou mais ele é chamada de otite média crônica. Os sintomas nesta otite incluem grande perfuração central do tímpano e secreção de líquido através da perfuração. A otite subaguda é quando a otite aguda persiste além do seu estado agudo, mas ainda não se tornou crônica.
A otite também pode ser classificada de acordo com o tipo de líquido que é observado pelo médico na cavidade da orelha. Se purulento ou supurativo, ele conterá glóbulos brancos, algum resíduo celular e muitas bactérias. Esse tipo de otite média aguda pode ser chamada de otite média purulenta. Quando não possui resíduo celular e bactéria é descrito como seroso, e o termo utilizado neste caso é otite média serosa. Quando o líquido é mucóide (espesso, globulos brancos e poucas bactérias e algum resíduo celular) a otite é mucóide .
FATORES QUE PODEM INFLUENCIAR O FUNCIONAMENTO DA TUBA:
Existem alguns fatores que alteram o funcionamento da tuba como alergias, adenoides hipertrofiadas, barotrauma, palato fissurado, tumores na rinofaringe e fatores de desenvolvimento. ( Jerger & Jerger 1989; Albernaz; Ganança; Fukuda 1997).
A obstrução tubária parece ser de dois tipos: funcional e mecânica. A funcional poderia resultar em um colapso persistente do tubo eustaquiano devido a um aumento da complacência tubária ou de um ineficiente mecanismo de abertura ativa ou ambos.
Esse tipo de obstrução é comum em lactentes e crianças pequenas, isso porque a parte cartilaginosa da tuba é flácida, tem maior diâmetro, é muito mais horizontalizada, tornando os músculos tensores menos eficientes.
A função da tuba auditiva é ruim em crianças com otite média e em crianças com história de doença da orelha média.
O músculo responsável pela abertura e fechamento da tuba é menos eficiente em bebês e crianças pequenas. Além disso, a tuba auditiva na criança fica apenas num ângulo de 10O em relação ao plano horizontal, enquanto que no adulto esse ângulo é de 45O. Ela também é bem mais curta em bebês. Esse ângulo e comprimento reduzido na criança faz com que o líquido chegue a orelha média apartir da área nasofaringea com mais facilidade, tendo maior dificuldade para sair da cavidade do ouvido médio.
A permeabilidade pode também ser um outro tipo de disfunção funcional, onde na forma extrema, a tuba fica aberta, mesmo em repouso.
Quando a obstrução funcional provoca um aumento de pressão negativa dentro do O.M., associado ao colapso da membrana do tímpano, temos a atelectasia, que seria a retração da membrana timpânica para dentro da caixa do tímpano.
O equilíbrio de pressão entre o O.M. e a atmosfera é importante, porém a persistência de pressão negativa no ouvido com obstrução funcional da tuba, poderá resultar em uma otite média estéril com efusão (Bluestone 1981). Se existe uma alta pressão negativa no O.M. e uma grande bolha de ar penetra no O.M. a partir da nasofaringe, as secreções nasofaríngicas podem ser aspiradas para dentro do O.M., resultando em uma otite média bacteriana aguda com efusão.
A obstrução mecânica intrinseca da tuba auditiva pode ser provocada por inflamação, principalmente, das vias aéreas superiores.
Bluestone 1981, considera a obstrução nasal como uma patogenia da otite média com efusão. A deglutição, com nariz obstruído( devido a inflamação ou adenóide) resulta em uma pressão aérea nasofaringea positiva inicial, seguida por uma fase de pressão negativa. Quando a trompa é flexível, a pressão nasofaríngea positiva poderá insuflar as secreções infectadas para dentro do O.M., especialmente quando este tiver uma pressão negativa elevada. Ou ainda, em caso de pressão negativa na nasofaringe, a trompa poderia não abrir e torna-se funcionalmente obstruída. (Bluestone & Cantekin 1979).
A alergia também é considerada como um dos fatores etiológicos do surgimento das otites. Porém, o mecanismo pelo qual a alergia pode causar otite com efusão permanece hipotético e controvérsio. Alguns autores tem assumido o inchaço da mucosa associado a alergia nasal a causa da obstrução da tuba. Entretanto, não existe dados avaliados para o suporte dessa controvérsia.
Outros investigadores são da opinião que a otite média com efusão associada a alergia nasal é uma doença por si só.
As crianças com fenda palatina apresentam disfunção na tuba. A explicação seria a falta de um funcionamento adequado da musculatura responsável pela abertura da mesma. Com isso, esses pacientes ficam mais propensos a desenvolverem otites.
A fenda submucosa e a presença da úvula bífida também estão associadas a alta incidência de otite média.
Outras causas que podem levar a disfunção da tuba auditiva são algumas condições congênitas, traumáticas, neoplasticas, degenerativas, metabólcas que podem resultar em anormalidade tubal.
A síndrome de Pierre Robin, que tem presença de fenda palatina, é uma síndrome com grande probabilidade de apresentar disfunção tubária e como conseqüência o surgimento da otite. Outras síndromes como Down’s, Crouzon’s, Apert’s e Turner’s são citadas. Mesmo não tendo um estudo formal da função nesses indivíduos, acredita-se que a disfunção da tuba é a causa mais provável de tal doença no ouvido.
Mesmo na ausência de malformação craniofacial obvia, existe alguma evidência que crianças e adultos com doenças no ouvido médio tenham um defeito congênito que resulta na disfunção da tuba auditiva.
Pacientes com anormaliddes dentofaciais pode ter otite média ou desenvolver doenças do ouvido médio como resultado dessa anormalidade.
Em alguns pacientes o desvio de septo, enfraquecendo a função da tuba, tem sido reportado.
Trauma do palato, osso pterigóideo, tensor do véu palatino e tuba de eustáquio pode também resultar em função anormal da tuba auditiva. Além disso, injuria do trigêmeo, e em especial do ramo mandibular, pode resultar em obstrução da mesma.
Doenças neoplasicas, benignas ou malignas podem invadir palato e osso pterigoideo podendo interferir na função do músculo tensor do tímpano e resulta em obstrução funcional da tuba.
Doenças degenerativas, como a miastemia gravis pode alterar a função eutaquiana.
A disfunção da tuba pode ser idiopática, em alguns casos.
INCIDÊNCIA:
A otite média para Northern & Downs (1989) é comum nos 2 primeiros anos de vida e sua incidência a partir de então decresce.
A otite média serosa com efusão constitui uma das doenças mais prevalentes na infância.
A revisão dos estudos mostram que 76% à 95% de todos as crianças têm pelo ao menos um episódio de otite média até os 6 anos de idade. E a prevalência tem seu pico durante os primeiros anos de vida. (Bess e Humes 1998)
Fatores como idade, sexo, raça, estado sócio-econômico, estação e clima foram estudados e parecem ser significativos para o surgimento das otites médias.
Parece haver uma relação entre a idade do início do sintoma e a probabilidade de repetição dos episódios de otite média. As crianças que parecem ser propensas à doença da otite média e passam por 5 ou 6 surtos nos primeiros anos de vida normalmente tiveram seu primeiro episódio da doença durante seus primeiros 18 meses. Uma criança que teve o seu 1O episódio após os 18 meses de idade, a probabilidade de episódio de repetição é mais difícil. Isso significa dizer que quanto menor a criança mais chance de ter otites (Butugan e Bodar 1993)
A otite varia entre os sexos, ocorrendo mais no sexo masculino do que feminino. A incidência é mais elevada no inverno que na primavera.
Autores como Bess e Humes (1998) relatam que as otites vem atingindo proporções epidêmicas. Em crianças com menos de 6 anos a otite é motivo mais comum para consulta com um médico. Segundo o centro de doença em Atlanta, os diagnósticos de infecção do ouvido aumentou para 178% em 1975 a 1990. Em 1975, houve 10 milhões de consultas a dores de ouvido; em 1990, o número de visitas foi de 25 milhões que custaram mais de 11 milhões anualmente.
Acredita-se que nove em cada 10 crianças terão pelo ao menos uma infecção de ouvido e maioria terá pelo ao menos uma infecção aguda do ouvido até os 3 anos de idade, e mais de 1/3 de todos as crianças terão 3 infecções agudas. A maioria das autoridades acreditam que isso acontece devido a freqüência das crianças nas creches. Essas crianças têm uma prevalência muito mais alta de infecções respiratórias nas vias superiores, e subsequentemente , infecções do ouvido.
Bluestone (1981) comenta que os lactentes e crianças pequenas encontram-se no mais alto risco para aquisição de otite média, com taxa de pico de prevalência em 6 a 36 meses. A incidência é maior nos meninos, em crianças com fenda palatina e outras anomalias craniofaciais e mais elevada em brancos do que em negros.
Butugan (1990) justifica a incidência maior nos lactentes devido a predisposição dos mesmos as infecções em geral e em particular as infecções respiratórias.
Em algumas pessoas as otites de repetição pode ocorrer por um período de anos. E a otite recorrente e severa durante os 3 primeiros anos de vida podem ser associada a retardo de linguagem em algumas crianças. (Jerger & Jerger 1989).
Num estudo realizado com 86 crianças afroamericanas entre 2 a 5 anos, por Zeisel, Roberts, Neebe, Riggins, Henderson em janeiro de 1999, mostrou que a prevalência de otite média com efusão decai quando a criança fica mais velha. A proporção média dos exames demonstram otite média de efusão alcançando 12% entre 24 a 30 meses para 4% entre 54 a 60 meses. A proporção média dos exames revelaram ouvido ou audição normal bilateral aumentada para 77% de 24 a 30 meses para 80% de 54 a 60 meses. Contudo 60 crianças experenciaram otite média com efusão bilateral nos últimos 4 meses ou mais de 6 a 24 meses de vida e apenas 8 dessas crianças experenciaram nos últimos 4 meses otite média com efusão bilateral continuada entre 24 a 60 meses.
A conclusão desse estudo é que a proporção do tempo com otite média bilateral decresce progressivamente com o aumento da idade nessa população.
Já Paradise e colaboradores em recente estudo com 2253 crianças durante o primeiro ano de vida, encontrou a proporção média de otite com efusão em 20,4% das crianças e 16,6% no segundo ano de vida. O fator de risco identificado foi residência urbana, criança do sexo masculino e afro-americanas, ajuda médica como um todo, fumantes em casa e exposição repetida para largo números de crianças em creches.
O cuidado com criança tem sido identificado como um fator de risco significante para otite média em vários estudos.
Assim como, Zeisel, Roberts, Neebe, Riggins e Henderson (1999), Paradise, Rockette,Colborn, Bernard, Smith, Kurns-Lasky e Janasky (1997), concordam em seus estudos que a ocorrência de otite média é maior entre crianças urbanas e menos entre crianças suburbanas. Essa diferença foi maior nos primeiros anos de vida.
No geral a proporção média de dias com otite com efusão foi maior entre meninos que meninas como observado em outros estudos. O preto é mais propenso em ter otite que branco e incidência é maior em lugar público que particular. Peso ao nascimento, idade materna, nível socio-econômico , educação materna, índex socio-econômico e duração na amamentação são itens que podem influenciar o surgimento da otite média.
O padrão socio-econômico também é citado no estudo Rockette,Colborn, Bernard, Smith, Kurns-Lasky e Janasky,onde (1997). A otite parece aparecer com mais freqüência entre pretos com baixo padrão socio-econômico que em brancos com padrão sócio-econômico também baixo.
DIAGNÓSTICO E CARACTERÍSTICAS AUDIOLÓGICAS:
O diagnóstico da otite média ou da disfunção da tuba auditiva é realizado pela anamnese, exame otorrinolaringológico auxiliado pela audiometria e imitanciometria.
A otite surge de forma insidiosa e na otite média secretora a sintomatologia mais relatada pelos pacientes é ouvido tapado a princípio, ou seja, sensação de autofonia.
A suspeita de algum problema no ouvido médio em crianças são as queixas freqüentes dos pais e dos professores, com relação a distração ou desatenção; uso de aparelhos de som ou de televisão em alta intensidade; troca de letras; baixo rendimento escolar e dificuldade na socialização.
Numa pesquisa realizada em 1998 por Longone, Fávero, Santos, Cruz Filho, Borges e Costa com 50 crianças que apresentavam alterações respiratórias e em geral não apresentavam queixas auditivas, foi observado que perdas condutivas, mesmo que leves, podem levar ao abafamento do som prejudicando a qualidade auditiva da criança, onde ela tem dificuldade para ouvir e de perceber a riqueza dos detalhes que a informação sonora pode trazer.
Segundo Hungria (1991), qualquer queixa dos pais e professores sobre esses aspectos o 1o passo é encaminhar essas crianças para esclarecimento diagnóstico e tratamento adequado.
O padrão audiológico mostra uma perda condutiva de grau leve à moderado, mas quando inicial, o indivíduo pode apresentar uma audição normal, porém com pressão negativa no ouvido quando realiza a imitanciometria, ou seja, curva tipo C. A curva tipo B também é encontrada.
A configuração audiométrica pode mudar de acordo com a evolução da doença. Inicialmente, com uma pressão negativa reduzida no ouvido a membrana timpanica e a cadeia ossicular podem tornar-se rígidas e nesse estágio a perda pode ser ascendente com perda maior nas freqüências baixas do que nas altas. Porém, quando já existe acúmulo de líquido no O.M., a sensibilidade para freqüências altas diminuem devido a grande quantidade de massa e a curva se mostra horizontal.
A via óssea (V.O.) geralmente se encontra dentro dos padrões da normalidade. Porém, dependendo da duração e severidade da doença um componente neurossensorial pode está presente e a curva audiométrica pode ser horizontal ou descendente.
A perda auditiva neurossensorial geralmente ocorre nos casos de otite quando o paciente apresenta formas mais graves de otite média crônica. Acredita-se que os produtos tóxicos dos líquidos podem passar através da janela redonda e danificar a cóclea. O dano auditivo produz perda neurossensorial nas freqüências altas. Logo, quanto mais tempo o líquido permanecer no ouvido médio, maior potencial de comprometimento neurossensorial.
A inteligibilidade de fala esta dentro dos limites da normalidade.
Na imitanciometria os reflexos estão ausentes quando a cadeia ossicular e membrana timpânica torna-se rígida.
TRATAMENTOS:
O tratamento realizado por Butugan (1990) consiste em aeração do O.M., drenagem do líquido na caixa do tímpano e tratamento da infecção de vizinhanças e no terreno alérgico.
Na cura da otite média serosa/secretora é impossível prever se a otite vai ou não evoluir para a cura espontânea .
Para Hungria (1991), a recuperação espontânea da otite secretora pode levar até vários meses e implicaria, principalmente se o problema é bilateral, em problemas auditivos prejudiciais a criança em idade escolar.
A cirurgia muitas vezes é indicada para que o quadro se reverta o mais rápido possível, principalmente em crianças, para que elas não sejam prejudicadas em seu desenvolvimento escolar/social.
Num trabalho realizado por Nóbrega (1998) e apresentado no VIII CONGRESSO BRASILEIRO DE FONOAUDIOLOGIA , em Natal, intitulado "Influência das otites médias na aprendizagem" , foi relatado grande incidência de otite média nas crianças na consulta pediátrica, onde nos E.U.A. o atendimento de crianças com otite aumentou de 10 milhões em 1975 para 20 milhões em 1990. Os custos são altos no tratamento dessas crianças, porém a doença da otite não se limita aos sintomas de febre/dor e uso de antibióticos.
Como foi comentado antes, a otite pode trazer perda auditiva temporária e os dois primeiros meses, época de maior incidência das otites, existe uma plasticidade neural da via auditiva. Logo, se a criança for estimulada ela desenvolverá uma riqueza de conexões neurais. Em contra partida, se sofre privações, devido a doença no ouvido médio, ela poderá ter seu desenvolvimento comprometido
INFLUÊNCIA DAS OTITES NO DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM E COGNIÇÃO:
As perdas condutivas, mesmo as mais leves, podem levar ao abafamento do som prejudicando a qualidade auditiva da criança, onde ela tem dificuldade para ouvir e perceber a riqueza dos detalhes que a informação sonora pode trazer.
Num trabalho desenvolvido por Longone, Favelo, Santos, Cruz Filho, Borges e Costa (1998) com 50 crianças, foi encontrado 34% de perda auditiva do tipo condutiva de grau leve, uni ou bilateral. Essa incidência de perda auditiva, mesmo que temporária, poderá levar a privações sensoriais. E, segundo Menytc 1986) "a privação sensorial afeta o desenvolvimento das funções cognitivas e lingüistícas da criança". Além disso, concomitante com a maturação da função auditiva, estão o desenvolvimento da fala e da habilidade da linguagem ( Down & Northen, 1989).
Skinner (1978), citado por Longone e colaboradores (1998), relatou uma série de dificuldades que uma criança em fase de aprendizado da linguagem pode apresentar quando é portadora de deficiência auditiva leve:
1 – Perda da constância das pistas auditivas quando a informação acústica flutua;
2 – Confusão dos parâmetros acústicos na fala rápida;
3 – Confusão na segmentação e na prosódia;
4 – Mascaramento em ambiente ruídoso;
5 – Quebra na habilidade em perceber os sons da fala;
6 – Quebra na habilidade de perceber, de forma precoce, os agudos;
7 – Abstração errônea das regras gramaticais;
8 – Perda dos padrões de entonação subliminares.
Esses dados comprovam o quanto de pista auditiva a criança perde e que essa alterações afetam o desenvolvimento da linguagem e fala da mesma.
No estudo de Longone, Favero, Santos, Cruz Filho, Borges e Costa (1998), com 50 crianças com perda auditiva leve, grande parte dos pacientes apresentavam reflexos acústicos contralateral ausente ou em níveis aumentados, sugerindo alteração no processamento auditivo central.
Essa alteração, no processamento auditivo central, pode ocorrer, já que sabemos que quando medimos os reflexos acústicos podemos obter medidas funcionais localizadas no tronco cerebral, em virtude do envolvimento desse arco reflexo com as atividades neurais dos núcleos auditivos ai localizados.
Esses mesmos núcleos também desempenham atividades envolvidas no processamento auditivo central e é possível que alguma disfunção desses núcleos leve tanto a alteração do reflexo acústico ( mesmo com audição normal), como falha em habilidades envolvidas no processamento auditivo central ( localização, atenção seletiva, reconhecimento da fala no ruído, seletividade de freqüência).
Num estudo realizado por Roberts, Burchinal, Zeisel, Neebe, Hooper, Roush, Bryant, Mundy, Herderson em 1998, com 86 crianças africanas entre 6 à 24 meses, mostrou que as mesmas experimentaram otite média uni ou bilateral na proporção de 63% entre 6 à 12 meses de idade, e reduziu a sensibilidade auditiva na proporção de 44% no período entre 6 à 24 meses.
A proporção de tempo com otite média com efusão ou perda auditiva foi modesta e correlacionando com medidas de habilidades de linguagem e cognição, essa relação entre alteração na linguagem e presença de otite média, não foi muito significante quando a avaliação do meio familiar e cuidado com a criança foi também considerado. Isto é, quando a criança era avaliada levando em consideração, além da perda temporária devido a otite, o meio onde ela vive e o tipo de estimulação que recebe, a influência da presença da perda auditiva não foi significativa o suficiente para considerá-la com causa ou fator principal de alteração no desenvolvimento da linguagem.
Embora vários estudos tenham pesquisado a associação entre otite média com efusão freqüente e persistente durante a infância e período pré-escolar, a causa da otite média com efusão e seqüelas tardias na linguagem continua sendo debatida.
Crianças com otite freqüentemente experimentam perda auditiva flutuante de suave a moderada e deste modo, recidivas parciais ou sinal inconsistente de audição trazendo dificuldade maior na detecção de fala. Isso pode diminuir a discriminação e processamento de fala e causar na criança informações ineficientes, incompletas ou imprecisas nos dados para o desenvolvimento da linguagem.
Perda auditiva persistente ou recurrente devido a otite media de efusão pode diminuir as habilidades da criança em desenvolver linguagem.
Apesar do conceito lógico da relação hipotética entre otite média de efusão e seqüela de linguagem, vários estudos tem mostrado a não associação em otite média com efusão na infância e linguagem durante os primeiros 4 anos de vida.
Para Roberts e colaboradores (1998) a forma como os dados são colhidos em pesquisas desse tipo não são eficientes. Para eles existem 4 fatores que poderiam explicar as diferenças encontradas nos estudos examinando otite média com efusão e prática da linguagem tardia:
1) Poucos estudos tem examinado perda auditiva como variável independente. Em seu lugar usam a otite média como uma variável preditora, ou seja, ela como causa principal. Entretanto, o grau da perda auditiva associado com otite média de efusão não é constante. Algumas crianças não experimentam perdas auditivas moderadas com 50 dB que explicassem a dificuldade na percepção da fala;
2) Os estudos não tem considerado recentes modelos de desenvolvimento da criança que enfatiza a natureza multifatorial, particularmente a importância do cuidado ambiental afetando o desenvolvimento da criança. Consideráveis pesquisas de suporte influenciam no estilo de resposta da interação pelos pais e pelo cuidado na produção de programas que facilitem o desenvolvimento da linguagem da criança. Portanto, estudos de seqüelas de linguagem na otite média devem examinar cuidadosamente o meio ambiente da criança em casa e o cuidado com a mesma, para entendermos como a otite média pode afetar mais tarde o desenvolvimento da linguagem;
3) As medidas do desenvolvimento da linguagem depende de estudos prévios que tenham sido medidos amplamente ( ex: linguagem receptiva ou linguagem expressiva) e que podem não ser sensível para efeito específico da otite média e perda auditiva associada. A competência específica da linguagem (ex. aquisição do vocabulário e uso da linguagem) também necessita ser examinado quando observando seqüelas de otite média.
4) Poucos estudos tem examinado se certos períodos do desenvolvimento foi particularmente sentido por dificuldade na linguagem devido a otite média. É possível que períodos específicos, tal como quando a criança está adquirindo associações som – símbolos da sua língua nativa durante o primeiro ano de vida, a mesma esta mais vulnerável para dificuldades da linguagem que períodos mais tarde quando a criança está expandindo seu vocabulário e tamanho de sentenças.
Esses mesmos autores realizaram um estudo prospectivo recente e não encontraram uma associação direta da otite média com efusão e perda auditiva e desenvolvimento de linguagem e cognição no primeiro ano de vida. De qualquer modo, crianças com otites freqüentes tenderam a ser menos responsiva ao meio familiar e infantil e estavam ligadas a baixa performance no primeiro ano de vida.
Esse padrão de interação pode ter um impacto negativo no desenvolvimento da linguagem da criança. Essa explanação é consistente com estudos onde as mães de crianças com história de otite média eram menos interessadas e sociáveis com suas crianças e viam, elas mesmas, como mais deprimidas e menos competentes. ( Baron, Gerson, Freeland, Nair, Rubin, Hitchesan 1998)
O estudo de Robets e colaboradores (1998), pode ser interpretado como uma simples reflexão da confusão que existe entre otite média com efusão, perda auditiva associada e cuidado ambiental.
Tal confusão ocorre quando a criança experimenta mais freqüentemente otite média ou associado perda auditiva e feitos no desenvolvimento pobre porque ela esta numa qualidade ambiental pobre. Isto é, a criança de baixa qualidade ambiental experimentam mais otite média e perda auditiva associada porque fatores comumente associados como baixa qualidade de cuidados tais como, maior abandono em casa, mais freqüente uso de mamadeira e higiene global estariam interferindo numa maior probabilidade do surgimento das otites e como conseqüência dificuldade de percepção sonora.
A baixa qualidade no meio familiar também está associado com baixo escor no efeito da linguagem e cognição. E Roberts e colaboradores (1995) ainda completam dizendo que esse baixo escor estariam presentes na idade pré-escolar e no ano escolar.
A falha para uma associação direta entre otite média com efusão e perda auditiva com efeito na linguagem/cognição nos 2 anos de vida é consistente com o encontrado em outros estudos.
COMENTÁRIOS FINAIS:
A otite média e a disfunção tubária são patologias comuns em crianças, principalmente nos primeiros anos de vida. Por ser uma patologia comum, muitos trabalhos foram desenvolvidos como o objetivo de se pesquisar as alterações mais freqüentes que ocorrem na audição da criança e seqüelas que podem acontecer.
Sabemos que para um bom desenvolvimento de linguagem, cognição e fala, a integridade da audição é essencial. Quando existe algum problema na condução do som até o cérebro a criança pode ter prejuízos no seu desenvolvimento.
A otite, ou mesmo uma simples disfunção tubária, pode dificultar a passagem do som através do ouvido médio e esse som pode chegar ao cérebro de maneira distorcida, ou mesmo, não ser ouvido pela criança.
A maioria dos pais só procuram o médico especialista quando seu filho está se queixando de dores no ouvido frequentemente. Como a otite surge de maneira insidiosa, os pais não percebem o problema na sua fase inicial.
Os estudos e pesquisas relizados sobre otites e disfunção tubária revelam a perda auditiva temporária e o que a mesma pode causar, porém poucos estudos comprovam a influência que essas patologias podem trazer para o desenvolvimento de linguagem e fala da criança nos primeiros anos de vida.
A confirmação da perda auditiva temporária pode acontecer, porém não se sabe ao certo se ela pode trazer alterações tardias para a linguagem do bebê. As pesquisas realizadas com essas crianças muitas vezes levam em consideração o grau da perda, porém nenhum outro fator parece ser considerado.
O fato da criança ter otite e perda auditiva do tipo condutiva, não pode por si só justificar atraso no desenvolvimento de linguagem da criança ou distorção na fala. Outros fatores externos e importantes devem ser considerados. Afinal, a criança não irá desenvolver linguagem se não tiver estimulação e cuidados em casa.
Fatores ambientais como fumantes em casa, interação com os pais, convívio com outras crianças e raça são citados por alguns autores e podem influenciar de maneira indireta tanto para o surgimento das otites como também dificuldades no desenvolvimento da linguagem.
Dos trabalhos analisados não foi encontrado evidências concretas sobre a influencia das otites e atraso no desenvolvimento da linguagem, porém acredita-se que se as otites ocorrem no período onde a criança está iniciando o desenvolvimento da linguagem e percepção dos sons da fala, importantes para a discriminação, ela pode perder muitas das informações recebidas e ter prejuízos tardios na fase pré-escolar e/ou escolar.
A maioria dos trabalhos relatam incidência maior das otites no primeiro ano de vida e a partir do segundo ano essa incidência cai. Outro aspecto, que parece ser comum é que crianças com mais probabiidade de otites de repetição, têm mais chances de ter seqüelas futuras na linguagem, já que as perdas auditivas perduram por mais tempo.
Um fator importante que não podemos deixar de comentar é que crianças com patologias como fissuras palatinas, síndrome de Down e Apert’s, por exemplo, podem ser um fator a mais para o mau funcionamento da tuba e como conseqüência, o surgimento das otites.
Apesar da alta incidência de otites no primeiro ano de vida, os trabalhos pesquisados não falam sobre orientações aos pais com o objetivo de prevenir e/ou minimizar problemas futuros com a linguagem da criança.
O que observamos hoje em dia é que tanto pais como professores não estão cientes dos problemas que as infecções freqüentes do ouvido médio podem trazer e como eles podem atuar para prevenir problemas futuros.
Desta forma, o audiologista tem um papel importante dentro desse contexto e deve, a medida do possível, conscientizar os pais sobre os problemas que as otites podem trazer.
Muitos fonoaudiólogos ainda continuam acreditando que um conhecimento básico sobre o funcionamento do audiômetro e os resultados dos exames encontrados nas suas avaliações são suficientes. Porém, o profissional audiologista deve mudar essa visão e se sentir responsável pelo paciente, já que o exame realizado por ele vai ajudar na conduta que o otorrinolaringologista deve tomar com o paciente.
Temos que ter uma visão mais global no momento da nossa avaliação. Saber que a criança tem o problema auditivo é importante, porém não é tudo. Orientar e explicar aos pais o que eles podem fazer para participar mais ativamente do problema do seu filho ajuda no desenvolvimento não só auditivo e de linguagem, mas no seu desenvolvimento social e emocional.
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Sabemos que a tuba auditiva é um canal virtual que comunica a nasofaringe ao orelha média. Sua função, além de proteção e limpeza, é equilibrar a pressão da orelha média com a pressão atmosférica.
Essa função é essencial para o bom funcionamento da orelha média na transmissão do som através dos ossículos.
A obstrução ou mau funcionamento da tuba pode levar a infecções na orelha média e perda auditiva temporária, onde essa perda pode ser prejudicial à criança tanto na escola como socialmente.
A disfunção tubária e a otite média são patologias comuns na nossa prática clínica. A sua incidência em crianças pode ser explicado devido a imaturidade do funcionamento da musculatura da tuba auditiva e horizontalização da mesma, o que facilita a passagem de secreções e partículas de alimentos para a orelha média.
Como audiologistas, muitas vezes, não paramos para pensar que seqüelas essas patologias podem trazer para o paciente, principalmente crianças nos primeiros anos de vida, onde o funcionamento da audição é primordial para o desenvolvimento da linguagem e fala.
Pensando nisso é que começamos a refletir o quanto a otite média poderia influenciar na linguagem da criança e como médicos e audiologistas atuavam na sua prática diária.
Será que após o resultado de um exame, onde diagnosticamos presença de otite média ou disfunção tubária prevenimos os pais sobre as seqüelas que podem acontecer e o que eles podem fazer para que a perda auditiva, mesmo que temporária, não prejudique o desenvolvimento do seu filho?
Estamos preparados para realizarmos uma avaliação audiológica mais global, onde o paciente seja visto não só como portador de uma otite média, e sim alguém que tem um problema na audição em um período crítico, onde a percepção auditiva é primordial para o seu desenvolvimento de linguagem?
Como os otorrinolaringologistas e fonoaudiólogos podem intervir para que as otites sejam diagnosticadas o mais precocemente possível?
Para responder ou pelo ao menos ajudar a entender melhor essas dúvidas, foi realizado um levantamento bibliográfico mostrando a anatomia, fisiologia e fatores que influenciam o funcionamento da tuba, a incidência das otites, o diagnóstico e características audiológicas, os tratamentos das otites e a influência da disfunção tubária e otites no desenvolvimento da linguagem e cognição.
DISCUSSÃO TEÓRICA:
A tuba auditiva, apesar de não está situada no ouvido médio, apresenta a mesma origem e unidade morfofuncional com a cavidade timpânica. O seu diâmetro no adulto é de 1 a 2mm, mas na criança é mais largo e mais horizontalizado, onde em relação ao adulto possui uma porção cartilaginosa mais curta e menos rígida.
É um tubo achatado a partir da parede anterior da cavidade timpânica, abrindo-se na parede lateral da nasofaringe com um comprimento aproximado de 37mm. A parte óssea (protímpano) é mais curta e situada no rochedo e a parte cartilaginosa perfaz 2/3 do comprimento total. A transição entre a parte óssea com a cartilaginosa, onde a tuba é mais estreita, é chamada de istmo e funciona como uma válvula.
Usualmente a tuba é fechada e se abre durante a deglutição, bocejo, espirro, permitindo que a pressão de ar do ouvido médio se equilibre com o ar atmosférico. Esse mecanismo de abertura é muscular e envolve porção cartilaginosa. Quando em repouso, gases são absorvidos dentro dos tecidos circundantes do ouvido médio, e cria uma ligeira pressão negativa no mesmo.(Ruben 1983).
A abertura da tuba auditiva ocorre através da constricção do tensor do véu palatino, onde o feixe medial do tensor do véu é responsável pela abertura da tuba e é chamado de músculo dilatador da tuba, porque na sua contração ocorre deslocamento da parede lateral no sentido latero-inferior.
O músculo elevador do véu tem uma ação passiva na abertura da tuba.
Albernaz; Ganança; Fukuda (1997) relatam que a tuba se torna permeável a entrada do ar quando há contração dos músculos elevador e tensor do tímpano, que diminuem o comprimento e aumentam o seu diâmetro .
As 3 funções fisiológicas importantes para orelha média, realizada pela tuba auditiva, é a proteção contra pressão e secreção; limpeza e ventilação para equilibrar a pressão dentro do ouvido.
Essa função de ventilação, chamada de pneumática, parece ser a mais importante, pois uma ventilação deficiente contribui para o desenvolvimento da maioria das otites médias. Além disso, o equilíbrio de pressão do ouvido médio com a pressão atmosférica é necessário para transmissão do som.
A função da tuba auditiva é menos eficiente nas crianças pequenas do que nas crianças mais velhas e adultos, talvez, porque a parede da trompa nas crianças seja mais frouxa e por isso, mais susceptível de perda auditiva, criando obstrução funcional. (Paradise 1980 e Bluestone & Cantekin 1979).
Essa pressão negativa da O.M. temporária pode levar a uma obstrução ou colapso da tuba. Se a trompa se encontra fechada começa a reabsorção de oxigênio e logo dos demais componentes. Isso diminui a pressão endotimpânica, sendo então o tímpano, tencionado para dentro, pela pressão atmosférica, podendo aparecer o extravasamento de líquidos. (Tato 1964; Jerger & Jerger 1989).
Quando o fechamento da tuba auditiva é transitório a obstrução da tuba é aguda, porém, se for uma obstrução mais prolongada a obstrução é crônica ( Thompson; Zubizarreta; Bertelli; Campos 1975).
A função anormal da Trompa de Eustáquio pode levar a surgimento da otite. Logo, saber a natureza exata desta disfunção exige um conhecimento do sistema constituído pelo palato, cavidade nasal, nasofaringe, trompa de eustáquio, ouvido médio e as células aéreas da mastóide ( Bluestone 1981)
Quando se aplica uma pressão negativa súbita no ouvido médio, como ocorre nas mudanças rápidas de pressão atmosférica na descida de um avião ou mergulho, a tuba pode ficar obstruída e impedir a passagem de ar. Do mesmo modo, se existe uma pressão negativa na parte da nasofaringe de uma tuba altamente complacente o fechamento da mesma também pode ocorrer.
Bluestone (1981) suspeita que quando a função da tuba é ineficiente o colapso da parede permanece. Neste caso, o intervalo entre as aberturas dependerá do estabelecimento de uma pressão gradiente entre a cavidade do O.M. e a nasofaringe que ajudará passivamente no seu funcionamento. Esse gradiente é alcançado justamente pela absorção de gás do O.M., que comentamos anteriormente, que resulta em uma pressão negativa.
Esse tipo de regulagem de pressão parece ser muito comum em crianças, porque tem sido identificado pressões negativas moderadas e elevadas no O.M. por meio da timpanometria em muitos que eram aparentemente normais.
Para Bess e Humes (1998) a otite média, que pode ser causada inicialmente pelo mau funcionamento da tuba, é considerada um problema econômico e de saúde importante, devido a sua prevalência, ao seu custo de tratamento, e ao potencial de complicações não médicas a longo prazo.
A otite geralmente é classificada de acordo com a duração do processo inflamatório. A otite média aguda, por exemplo, normalmente passará em todos os seus estágios de evolução em um período de 3 semanas. A doença começa com um início rápido e persiste por 1 semana ou 10 dias. Os sintomas que acompanham a O.M.A. incluem abaulamento, menbrana timpânica avermelhada, dor e infecção das vias aéreas superiores. Se essa doença persistir por 3 meses ou mais ele é chamada de otite média crônica. Os sintomas nesta otite incluem grande perfuração central do tímpano e secreção de líquido através da perfuração. A otite subaguda é quando a otite aguda persiste além do seu estado agudo, mas ainda não se tornou crônica.
A otite também pode ser classificada de acordo com o tipo de líquido que é observado pelo médico na cavidade da orelha. Se purulento ou supurativo, ele conterá glóbulos brancos, algum resíduo celular e muitas bactérias. Esse tipo de otite média aguda pode ser chamada de otite média purulenta. Quando não possui resíduo celular e bactéria é descrito como seroso, e o termo utilizado neste caso é otite média serosa. Quando o líquido é mucóide (espesso, globulos brancos e poucas bactérias e algum resíduo celular) a otite é mucóide .
FATORES QUE PODEM INFLUENCIAR O FUNCIONAMENTO DA TUBA:
Existem alguns fatores que alteram o funcionamento da tuba como alergias, adenoides hipertrofiadas, barotrauma, palato fissurado, tumores na rinofaringe e fatores de desenvolvimento. ( Jerger & Jerger 1989; Albernaz; Ganança; Fukuda 1997).
A obstrução tubária parece ser de dois tipos: funcional e mecânica. A funcional poderia resultar em um colapso persistente do tubo eustaquiano devido a um aumento da complacência tubária ou de um ineficiente mecanismo de abertura ativa ou ambos.
Esse tipo de obstrução é comum em lactentes e crianças pequenas, isso porque a parte cartilaginosa da tuba é flácida, tem maior diâmetro, é muito mais horizontalizada, tornando os músculos tensores menos eficientes.
A função da tuba auditiva é ruim em crianças com otite média e em crianças com história de doença da orelha média.
O músculo responsável pela abertura e fechamento da tuba é menos eficiente em bebês e crianças pequenas. Além disso, a tuba auditiva na criança fica apenas num ângulo de 10O em relação ao plano horizontal, enquanto que no adulto esse ângulo é de 45O. Ela também é bem mais curta em bebês. Esse ângulo e comprimento reduzido na criança faz com que o líquido chegue a orelha média apartir da área nasofaringea com mais facilidade, tendo maior dificuldade para sair da cavidade do ouvido médio.
A permeabilidade pode também ser um outro tipo de disfunção funcional, onde na forma extrema, a tuba fica aberta, mesmo em repouso.
Quando a obstrução funcional provoca um aumento de pressão negativa dentro do O.M., associado ao colapso da membrana do tímpano, temos a atelectasia, que seria a retração da membrana timpânica para dentro da caixa do tímpano.
O equilíbrio de pressão entre o O.M. e a atmosfera é importante, porém a persistência de pressão negativa no ouvido com obstrução funcional da tuba, poderá resultar em uma otite média estéril com efusão (Bluestone 1981). Se existe uma alta pressão negativa no O.M. e uma grande bolha de ar penetra no O.M. a partir da nasofaringe, as secreções nasofaríngicas podem ser aspiradas para dentro do O.M., resultando em uma otite média bacteriana aguda com efusão.
A obstrução mecânica intrinseca da tuba auditiva pode ser provocada por inflamação, principalmente, das vias aéreas superiores.
Bluestone 1981, considera a obstrução nasal como uma patogenia da otite média com efusão. A deglutição, com nariz obstruído( devido a inflamação ou adenóide) resulta em uma pressão aérea nasofaringea positiva inicial, seguida por uma fase de pressão negativa. Quando a trompa é flexível, a pressão nasofaríngea positiva poderá insuflar as secreções infectadas para dentro do O.M., especialmente quando este tiver uma pressão negativa elevada. Ou ainda, em caso de pressão negativa na nasofaringe, a trompa poderia não abrir e torna-se funcionalmente obstruída. (Bluestone & Cantekin 1979).
A alergia também é considerada como um dos fatores etiológicos do surgimento das otites. Porém, o mecanismo pelo qual a alergia pode causar otite com efusão permanece hipotético e controvérsio. Alguns autores tem assumido o inchaço da mucosa associado a alergia nasal a causa da obstrução da tuba. Entretanto, não existe dados avaliados para o suporte dessa controvérsia.
Outros investigadores são da opinião que a otite média com efusão associada a alergia nasal é uma doença por si só.
As crianças com fenda palatina apresentam disfunção na tuba. A explicação seria a falta de um funcionamento adequado da musculatura responsável pela abertura da mesma. Com isso, esses pacientes ficam mais propensos a desenvolverem otites.
A fenda submucosa e a presença da úvula bífida também estão associadas a alta incidência de otite média.
Outras causas que podem levar a disfunção da tuba auditiva são algumas condições congênitas, traumáticas, neoplasticas, degenerativas, metabólcas que podem resultar em anormalidade tubal.
A síndrome de Pierre Robin, que tem presença de fenda palatina, é uma síndrome com grande probabilidade de apresentar disfunção tubária e como conseqüência o surgimento da otite. Outras síndromes como Down’s, Crouzon’s, Apert’s e Turner’s são citadas. Mesmo não tendo um estudo formal da função nesses indivíduos, acredita-se que a disfunção da tuba é a causa mais provável de tal doença no ouvido.
Mesmo na ausência de malformação craniofacial obvia, existe alguma evidência que crianças e adultos com doenças no ouvido médio tenham um defeito congênito que resulta na disfunção da tuba auditiva.
Pacientes com anormaliddes dentofaciais pode ter otite média ou desenvolver doenças do ouvido médio como resultado dessa anormalidade.
Em alguns pacientes o desvio de septo, enfraquecendo a função da tuba, tem sido reportado.
Trauma do palato, osso pterigóideo, tensor do véu palatino e tuba de eustáquio pode também resultar em função anormal da tuba auditiva. Além disso, injuria do trigêmeo, e em especial do ramo mandibular, pode resultar em obstrução da mesma.
Doenças neoplasicas, benignas ou malignas podem invadir palato e osso pterigoideo podendo interferir na função do músculo tensor do tímpano e resulta em obstrução funcional da tuba.
Doenças degenerativas, como a miastemia gravis pode alterar a função eutaquiana.
A disfunção da tuba pode ser idiopática, em alguns casos.
INCIDÊNCIA:
A otite média para Northern & Downs (1989) é comum nos 2 primeiros anos de vida e sua incidência a partir de então decresce.
A otite média serosa com efusão constitui uma das doenças mais prevalentes na infância.
A revisão dos estudos mostram que 76% à 95% de todos as crianças têm pelo ao menos um episódio de otite média até os 6 anos de idade. E a prevalência tem seu pico durante os primeiros anos de vida. (Bess e Humes 1998)
Fatores como idade, sexo, raça, estado sócio-econômico, estação e clima foram estudados e parecem ser significativos para o surgimento das otites médias.
Parece haver uma relação entre a idade do início do sintoma e a probabilidade de repetição dos episódios de otite média. As crianças que parecem ser propensas à doença da otite média e passam por 5 ou 6 surtos nos primeiros anos de vida normalmente tiveram seu primeiro episódio da doença durante seus primeiros 18 meses. Uma criança que teve o seu 1O episódio após os 18 meses de idade, a probabilidade de episódio de repetição é mais difícil. Isso significa dizer que quanto menor a criança mais chance de ter otites (Butugan e Bodar 1993)
A otite varia entre os sexos, ocorrendo mais no sexo masculino do que feminino. A incidência é mais elevada no inverno que na primavera.
Autores como Bess e Humes (1998) relatam que as otites vem atingindo proporções epidêmicas. Em crianças com menos de 6 anos a otite é motivo mais comum para consulta com um médico. Segundo o centro de doença em Atlanta, os diagnósticos de infecção do ouvido aumentou para 178% em 1975 a 1990. Em 1975, houve 10 milhões de consultas a dores de ouvido; em 1990, o número de visitas foi de 25 milhões que custaram mais de 11 milhões anualmente.
Acredita-se que nove em cada 10 crianças terão pelo ao menos uma infecção de ouvido e maioria terá pelo ao menos uma infecção aguda do ouvido até os 3 anos de idade, e mais de 1/3 de todos as crianças terão 3 infecções agudas. A maioria das autoridades acreditam que isso acontece devido a freqüência das crianças nas creches. Essas crianças têm uma prevalência muito mais alta de infecções respiratórias nas vias superiores, e subsequentemente , infecções do ouvido.
Bluestone (1981) comenta que os lactentes e crianças pequenas encontram-se no mais alto risco para aquisição de otite média, com taxa de pico de prevalência em 6 a 36 meses. A incidência é maior nos meninos, em crianças com fenda palatina e outras anomalias craniofaciais e mais elevada em brancos do que em negros.
Butugan (1990) justifica a incidência maior nos lactentes devido a predisposição dos mesmos as infecções em geral e em particular as infecções respiratórias.
Em algumas pessoas as otites de repetição pode ocorrer por um período de anos. E a otite recorrente e severa durante os 3 primeiros anos de vida podem ser associada a retardo de linguagem em algumas crianças. (Jerger & Jerger 1989).
Num estudo realizado com 86 crianças afroamericanas entre 2 a 5 anos, por Zeisel, Roberts, Neebe, Riggins, Henderson em janeiro de 1999, mostrou que a prevalência de otite média com efusão decai quando a criança fica mais velha. A proporção média dos exames demonstram otite média de efusão alcançando 12% entre 24 a 30 meses para 4% entre 54 a 60 meses. A proporção média dos exames revelaram ouvido ou audição normal bilateral aumentada para 77% de 24 a 30 meses para 80% de 54 a 60 meses. Contudo 60 crianças experenciaram otite média com efusão bilateral nos últimos 4 meses ou mais de 6 a 24 meses de vida e apenas 8 dessas crianças experenciaram nos últimos 4 meses otite média com efusão bilateral continuada entre 24 a 60 meses.
A conclusão desse estudo é que a proporção do tempo com otite média bilateral decresce progressivamente com o aumento da idade nessa população.
Já Paradise e colaboradores em recente estudo com 2253 crianças durante o primeiro ano de vida, encontrou a proporção média de otite com efusão em 20,4% das crianças e 16,6% no segundo ano de vida. O fator de risco identificado foi residência urbana, criança do sexo masculino e afro-americanas, ajuda médica como um todo, fumantes em casa e exposição repetida para largo números de crianças em creches.
O cuidado com criança tem sido identificado como um fator de risco significante para otite média em vários estudos.
Assim como, Zeisel, Roberts, Neebe, Riggins e Henderson (1999), Paradise, Rockette,Colborn, Bernard, Smith, Kurns-Lasky e Janasky (1997), concordam em seus estudos que a ocorrência de otite média é maior entre crianças urbanas e menos entre crianças suburbanas. Essa diferença foi maior nos primeiros anos de vida.
No geral a proporção média de dias com otite com efusão foi maior entre meninos que meninas como observado em outros estudos. O preto é mais propenso em ter otite que branco e incidência é maior em lugar público que particular. Peso ao nascimento, idade materna, nível socio-econômico , educação materna, índex socio-econômico e duração na amamentação são itens que podem influenciar o surgimento da otite média.
O padrão socio-econômico também é citado no estudo Rockette,Colborn, Bernard, Smith, Kurns-Lasky e Janasky,onde (1997). A otite parece aparecer com mais freqüência entre pretos com baixo padrão socio-econômico que em brancos com padrão sócio-econômico também baixo.
DIAGNÓSTICO E CARACTERÍSTICAS AUDIOLÓGICAS:
O diagnóstico da otite média ou da disfunção da tuba auditiva é realizado pela anamnese, exame otorrinolaringológico auxiliado pela audiometria e imitanciometria.
A otite surge de forma insidiosa e na otite média secretora a sintomatologia mais relatada pelos pacientes é ouvido tapado a princípio, ou seja, sensação de autofonia.
A suspeita de algum problema no ouvido médio em crianças são as queixas freqüentes dos pais e dos professores, com relação a distração ou desatenção; uso de aparelhos de som ou de televisão em alta intensidade; troca de letras; baixo rendimento escolar e dificuldade na socialização.
Numa pesquisa realizada em 1998 por Longone, Fávero, Santos, Cruz Filho, Borges e Costa com 50 crianças que apresentavam alterações respiratórias e em geral não apresentavam queixas auditivas, foi observado que perdas condutivas, mesmo que leves, podem levar ao abafamento do som prejudicando a qualidade auditiva da criança, onde ela tem dificuldade para ouvir e de perceber a riqueza dos detalhes que a informação sonora pode trazer.
Segundo Hungria (1991), qualquer queixa dos pais e professores sobre esses aspectos o 1o passo é encaminhar essas crianças para esclarecimento diagnóstico e tratamento adequado.
O padrão audiológico mostra uma perda condutiva de grau leve à moderado, mas quando inicial, o indivíduo pode apresentar uma audição normal, porém com pressão negativa no ouvido quando realiza a imitanciometria, ou seja, curva tipo C. A curva tipo B também é encontrada.
A configuração audiométrica pode mudar de acordo com a evolução da doença. Inicialmente, com uma pressão negativa reduzida no ouvido a membrana timpanica e a cadeia ossicular podem tornar-se rígidas e nesse estágio a perda pode ser ascendente com perda maior nas freqüências baixas do que nas altas. Porém, quando já existe acúmulo de líquido no O.M., a sensibilidade para freqüências altas diminuem devido a grande quantidade de massa e a curva se mostra horizontal.
A via óssea (V.O.) geralmente se encontra dentro dos padrões da normalidade. Porém, dependendo da duração e severidade da doença um componente neurossensorial pode está presente e a curva audiométrica pode ser horizontal ou descendente.
A perda auditiva neurossensorial geralmente ocorre nos casos de otite quando o paciente apresenta formas mais graves de otite média crônica. Acredita-se que os produtos tóxicos dos líquidos podem passar através da janela redonda e danificar a cóclea. O dano auditivo produz perda neurossensorial nas freqüências altas. Logo, quanto mais tempo o líquido permanecer no ouvido médio, maior potencial de comprometimento neurossensorial.
A inteligibilidade de fala esta dentro dos limites da normalidade.
Na imitanciometria os reflexos estão ausentes quando a cadeia ossicular e membrana timpânica torna-se rígida.
TRATAMENTOS:
O tratamento realizado por Butugan (1990) consiste em aeração do O.M., drenagem do líquido na caixa do tímpano e tratamento da infecção de vizinhanças e no terreno alérgico.
Na cura da otite média serosa/secretora é impossível prever se a otite vai ou não evoluir para a cura espontânea .
Para Hungria (1991), a recuperação espontânea da otite secretora pode levar até vários meses e implicaria, principalmente se o problema é bilateral, em problemas auditivos prejudiciais a criança em idade escolar.
A cirurgia muitas vezes é indicada para que o quadro se reverta o mais rápido possível, principalmente em crianças, para que elas não sejam prejudicadas em seu desenvolvimento escolar/social.
Num trabalho realizado por Nóbrega (1998) e apresentado no VIII CONGRESSO BRASILEIRO DE FONOAUDIOLOGIA , em Natal, intitulado "Influência das otites médias na aprendizagem" , foi relatado grande incidência de otite média nas crianças na consulta pediátrica, onde nos E.U.A. o atendimento de crianças com otite aumentou de 10 milhões em 1975 para 20 milhões em 1990. Os custos são altos no tratamento dessas crianças, porém a doença da otite não se limita aos sintomas de febre/dor e uso de antibióticos.
Como foi comentado antes, a otite pode trazer perda auditiva temporária e os dois primeiros meses, época de maior incidência das otites, existe uma plasticidade neural da via auditiva. Logo, se a criança for estimulada ela desenvolverá uma riqueza de conexões neurais. Em contra partida, se sofre privações, devido a doença no ouvido médio, ela poderá ter seu desenvolvimento comprometido
INFLUÊNCIA DAS OTITES NO DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM E COGNIÇÃO:
As perdas condutivas, mesmo as mais leves, podem levar ao abafamento do som prejudicando a qualidade auditiva da criança, onde ela tem dificuldade para ouvir e perceber a riqueza dos detalhes que a informação sonora pode trazer.
Num trabalho desenvolvido por Longone, Favelo, Santos, Cruz Filho, Borges e Costa (1998) com 50 crianças, foi encontrado 34% de perda auditiva do tipo condutiva de grau leve, uni ou bilateral. Essa incidência de perda auditiva, mesmo que temporária, poderá levar a privações sensoriais. E, segundo Menytc 1986) "a privação sensorial afeta o desenvolvimento das funções cognitivas e lingüistícas da criança". Além disso, concomitante com a maturação da função auditiva, estão o desenvolvimento da fala e da habilidade da linguagem ( Down & Northen, 1989).
Skinner (1978), citado por Longone e colaboradores (1998), relatou uma série de dificuldades que uma criança em fase de aprendizado da linguagem pode apresentar quando é portadora de deficiência auditiva leve:
1 – Perda da constância das pistas auditivas quando a informação acústica flutua;
2 – Confusão dos parâmetros acústicos na fala rápida;
3 – Confusão na segmentação e na prosódia;
4 – Mascaramento em ambiente ruídoso;
5 – Quebra na habilidade em perceber os sons da fala;
6 – Quebra na habilidade de perceber, de forma precoce, os agudos;
7 – Abstração errônea das regras gramaticais;
8 – Perda dos padrões de entonação subliminares.
Esses dados comprovam o quanto de pista auditiva a criança perde e que essa alterações afetam o desenvolvimento da linguagem e fala da mesma.
No estudo de Longone, Favero, Santos, Cruz Filho, Borges e Costa (1998), com 50 crianças com perda auditiva leve, grande parte dos pacientes apresentavam reflexos acústicos contralateral ausente ou em níveis aumentados, sugerindo alteração no processamento auditivo central.
Essa alteração, no processamento auditivo central, pode ocorrer, já que sabemos que quando medimos os reflexos acústicos podemos obter medidas funcionais localizadas no tronco cerebral, em virtude do envolvimento desse arco reflexo com as atividades neurais dos núcleos auditivos ai localizados.
Esses mesmos núcleos também desempenham atividades envolvidas no processamento auditivo central e é possível que alguma disfunção desses núcleos leve tanto a alteração do reflexo acústico ( mesmo com audição normal), como falha em habilidades envolvidas no processamento auditivo central ( localização, atenção seletiva, reconhecimento da fala no ruído, seletividade de freqüência).
Num estudo realizado por Roberts, Burchinal, Zeisel, Neebe, Hooper, Roush, Bryant, Mundy, Herderson em 1998, com 86 crianças africanas entre 6 à 24 meses, mostrou que as mesmas experimentaram otite média uni ou bilateral na proporção de 63% entre 6 à 12 meses de idade, e reduziu a sensibilidade auditiva na proporção de 44% no período entre 6 à 24 meses.
A proporção de tempo com otite média com efusão ou perda auditiva foi modesta e correlacionando com medidas de habilidades de linguagem e cognição, essa relação entre alteração na linguagem e presença de otite média, não foi muito significante quando a avaliação do meio familiar e cuidado com a criança foi também considerado. Isto é, quando a criança era avaliada levando em consideração, além da perda temporária devido a otite, o meio onde ela vive e o tipo de estimulação que recebe, a influência da presença da perda auditiva não foi significativa o suficiente para considerá-la com causa ou fator principal de alteração no desenvolvimento da linguagem.
Embora vários estudos tenham pesquisado a associação entre otite média com efusão freqüente e persistente durante a infância e período pré-escolar, a causa da otite média com efusão e seqüelas tardias na linguagem continua sendo debatida.
Crianças com otite freqüentemente experimentam perda auditiva flutuante de suave a moderada e deste modo, recidivas parciais ou sinal inconsistente de audição trazendo dificuldade maior na detecção de fala. Isso pode diminuir a discriminação e processamento de fala e causar na criança informações ineficientes, incompletas ou imprecisas nos dados para o desenvolvimento da linguagem.
Perda auditiva persistente ou recurrente devido a otite media de efusão pode diminuir as habilidades da criança em desenvolver linguagem.
Apesar do conceito lógico da relação hipotética entre otite média de efusão e seqüela de linguagem, vários estudos tem mostrado a não associação em otite média com efusão na infância e linguagem durante os primeiros 4 anos de vida.
Para Roberts e colaboradores (1998) a forma como os dados são colhidos em pesquisas desse tipo não são eficientes. Para eles existem 4 fatores que poderiam explicar as diferenças encontradas nos estudos examinando otite média com efusão e prática da linguagem tardia:
1) Poucos estudos tem examinado perda auditiva como variável independente. Em seu lugar usam a otite média como uma variável preditora, ou seja, ela como causa principal. Entretanto, o grau da perda auditiva associado com otite média de efusão não é constante. Algumas crianças não experimentam perdas auditivas moderadas com 50 dB que explicassem a dificuldade na percepção da fala;
2) Os estudos não tem considerado recentes modelos de desenvolvimento da criança que enfatiza a natureza multifatorial, particularmente a importância do cuidado ambiental afetando o desenvolvimento da criança. Consideráveis pesquisas de suporte influenciam no estilo de resposta da interação pelos pais e pelo cuidado na produção de programas que facilitem o desenvolvimento da linguagem da criança. Portanto, estudos de seqüelas de linguagem na otite média devem examinar cuidadosamente o meio ambiente da criança em casa e o cuidado com a mesma, para entendermos como a otite média pode afetar mais tarde o desenvolvimento da linguagem;
3) As medidas do desenvolvimento da linguagem depende de estudos prévios que tenham sido medidos amplamente ( ex: linguagem receptiva ou linguagem expressiva) e que podem não ser sensível para efeito específico da otite média e perda auditiva associada. A competência específica da linguagem (ex. aquisição do vocabulário e uso da linguagem) também necessita ser examinado quando observando seqüelas de otite média.
4) Poucos estudos tem examinado se certos períodos do desenvolvimento foi particularmente sentido por dificuldade na linguagem devido a otite média. É possível que períodos específicos, tal como quando a criança está adquirindo associações som – símbolos da sua língua nativa durante o primeiro ano de vida, a mesma esta mais vulnerável para dificuldades da linguagem que períodos mais tarde quando a criança está expandindo seu vocabulário e tamanho de sentenças.
Esses mesmos autores realizaram um estudo prospectivo recente e não encontraram uma associação direta da otite média com efusão e perda auditiva e desenvolvimento de linguagem e cognição no primeiro ano de vida. De qualquer modo, crianças com otites freqüentes tenderam a ser menos responsiva ao meio familiar e infantil e estavam ligadas a baixa performance no primeiro ano de vida.
Esse padrão de interação pode ter um impacto negativo no desenvolvimento da linguagem da criança. Essa explanação é consistente com estudos onde as mães de crianças com história de otite média eram menos interessadas e sociáveis com suas crianças e viam, elas mesmas, como mais deprimidas e menos competentes. ( Baron, Gerson, Freeland, Nair, Rubin, Hitchesan 1998)
O estudo de Robets e colaboradores (1998), pode ser interpretado como uma simples reflexão da confusão que existe entre otite média com efusão, perda auditiva associada e cuidado ambiental.
Tal confusão ocorre quando a criança experimenta mais freqüentemente otite média ou associado perda auditiva e feitos no desenvolvimento pobre porque ela esta numa qualidade ambiental pobre. Isto é, a criança de baixa qualidade ambiental experimentam mais otite média e perda auditiva associada porque fatores comumente associados como baixa qualidade de cuidados tais como, maior abandono em casa, mais freqüente uso de mamadeira e higiene global estariam interferindo numa maior probabilidade do surgimento das otites e como conseqüência dificuldade de percepção sonora.
A baixa qualidade no meio familiar também está associado com baixo escor no efeito da linguagem e cognição. E Roberts e colaboradores (1995) ainda completam dizendo que esse baixo escor estariam presentes na idade pré-escolar e no ano escolar.
A falha para uma associação direta entre otite média com efusão e perda auditiva com efeito na linguagem/cognição nos 2 anos de vida é consistente com o encontrado em outros estudos.
COMENTÁRIOS FINAIS:
A otite média e a disfunção tubária são patologias comuns em crianças, principalmente nos primeiros anos de vida. Por ser uma patologia comum, muitos trabalhos foram desenvolvidos como o objetivo de se pesquisar as alterações mais freqüentes que ocorrem na audição da criança e seqüelas que podem acontecer.
Sabemos que para um bom desenvolvimento de linguagem, cognição e fala, a integridade da audição é essencial. Quando existe algum problema na condução do som até o cérebro a criança pode ter prejuízos no seu desenvolvimento.
A otite, ou mesmo uma simples disfunção tubária, pode dificultar a passagem do som através do ouvido médio e esse som pode chegar ao cérebro de maneira distorcida, ou mesmo, não ser ouvido pela criança.
A maioria dos pais só procuram o médico especialista quando seu filho está se queixando de dores no ouvido frequentemente. Como a otite surge de maneira insidiosa, os pais não percebem o problema na sua fase inicial.
Os estudos e pesquisas relizados sobre otites e disfunção tubária revelam a perda auditiva temporária e o que a mesma pode causar, porém poucos estudos comprovam a influência que essas patologias podem trazer para o desenvolvimento de linguagem e fala da criança nos primeiros anos de vida.
A confirmação da perda auditiva temporária pode acontecer, porém não se sabe ao certo se ela pode trazer alterações tardias para a linguagem do bebê. As pesquisas realizadas com essas crianças muitas vezes levam em consideração o grau da perda, porém nenhum outro fator parece ser considerado.
O fato da criança ter otite e perda auditiva do tipo condutiva, não pode por si só justificar atraso no desenvolvimento de linguagem da criança ou distorção na fala. Outros fatores externos e importantes devem ser considerados. Afinal, a criança não irá desenvolver linguagem se não tiver estimulação e cuidados em casa.
Fatores ambientais como fumantes em casa, interação com os pais, convívio com outras crianças e raça são citados por alguns autores e podem influenciar de maneira indireta tanto para o surgimento das otites como também dificuldades no desenvolvimento da linguagem.
Dos trabalhos analisados não foi encontrado evidências concretas sobre a influencia das otites e atraso no desenvolvimento da linguagem, porém acredita-se que se as otites ocorrem no período onde a criança está iniciando o desenvolvimento da linguagem e percepção dos sons da fala, importantes para a discriminação, ela pode perder muitas das informações recebidas e ter prejuízos tardios na fase pré-escolar e/ou escolar.
A maioria dos trabalhos relatam incidência maior das otites no primeiro ano de vida e a partir do segundo ano essa incidência cai. Outro aspecto, que parece ser comum é que crianças com mais probabiidade de otites de repetição, têm mais chances de ter seqüelas futuras na linguagem, já que as perdas auditivas perduram por mais tempo.
Um fator importante que não podemos deixar de comentar é que crianças com patologias como fissuras palatinas, síndrome de Down e Apert’s, por exemplo, podem ser um fator a mais para o mau funcionamento da tuba e como conseqüência, o surgimento das otites.
Apesar da alta incidência de otites no primeiro ano de vida, os trabalhos pesquisados não falam sobre orientações aos pais com o objetivo de prevenir e/ou minimizar problemas futuros com a linguagem da criança.
O que observamos hoje em dia é que tanto pais como professores não estão cientes dos problemas que as infecções freqüentes do ouvido médio podem trazer e como eles podem atuar para prevenir problemas futuros.
Desta forma, o audiologista tem um papel importante dentro desse contexto e deve, a medida do possível, conscientizar os pais sobre os problemas que as otites podem trazer.
Muitos fonoaudiólogos ainda continuam acreditando que um conhecimento básico sobre o funcionamento do audiômetro e os resultados dos exames encontrados nas suas avaliações são suficientes. Porém, o profissional audiologista deve mudar essa visão e se sentir responsável pelo paciente, já que o exame realizado por ele vai ajudar na conduta que o otorrinolaringologista deve tomar com o paciente.
Temos que ter uma visão mais global no momento da nossa avaliação. Saber que a criança tem o problema auditivo é importante, porém não é tudo. Orientar e explicar aos pais o que eles podem fazer para participar mais ativamente do problema do seu filho ajuda no desenvolvimento não só auditivo e de linguagem, mas no seu desenvolvimento social e emocional.
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domingo, 1 de julho de 2012
A FALA
BOA NOITE! A SOFIA TEM CONSEGUIDO EMITIR OS SONS PERFEITAMENTE PELA BOCA, ENTÃO AO OBSERVAR A BOQUINHA QUANDO ELA FAZ ALGUM BARULHO PERCEBI QUE ELA FECHA A ENTRADA DA GARGANTA E USA A FISSURA PARA EMITIR OS SONS. A FONOAUDIÓLOGA DISSE QUE A FALA DELA PODE DESENVOLVER NORMALMENTE PORQUE ELA ESTÁ COMPENSANDO A ABERTURA DA FISSURA FECHANDO A MUSCULATURA DA ENTRADA DA GARGANTA, MAS ISSO SÓ SERÁ DEFINITIVO QUANDO ELA COMPLETAR 12 ANOS, ATE LÁ A VOZ MESMO DEPOIS DA CIRURGIA PODE FICAR NASALISADA. MAS EU TENHO FÉ DE QUE A ÚNICA SEQUELA QUE A SOFIA TERÁ SERÁ A INTELIGÊNCIA. EU TEREI DE VOLTAR A CADA 3 MESES A BAURU PARA O ACOMPANHAMENTO COM A FONO , OTORRINO E DEMAIS PROFISSIONAIS, E O MAIS IMPORTANTE É NÓS PAIS OBSERVARMOS ESSE DESENVOLVIMENTO ATENDO A CADA DETALHE NA FALA E REPASSANDO AS FONOS, AQUI EM CASA QUANDO A SOFIA TEM EXPRESSÕES SONORAS MAIS EVIDENTES PROCURAMOS GRAVAR. A FONO NÃO TEM COMO ADIVINHAR COMO QUE FOI MAS COM O VÍDEO DÁ PARA ELAS TEREM IDÉIA DE COMO ESTÁ. MAS EU CONFESSO DE QUE ATUALMENTE MEU MAIOR MEDO É A QUESTÃO AUDITIVA, OS EXAMES DE BERA DERAM ALTERADOS, MAS DO LADO ESQUERDO ESTÁ NORMAL PARA QUEM TEM LÍQUIDO NO OUVIDO O QUE FOI CONSTATADO NA IMITANCIOMETRIA, O DO LADO DIREITO DEU UM POUCO PIOR, MAS DE QUALQUER FORMA TERÁ UM ACOMPANHAMENTO CONTÍNUO. A SOFIA TEM ESTADO A CADA DIA MAIS ALEGRE E INTELIGENTE, ELA É MUITO OBSERVADORA. COMPREI UM BRINQUEDINHO QUE É UM TECLADO QUE EMITE SOM E LUZ AO SER TOCADO, ELA ADORA...APESAR DE AINDA NÃO CONSEGUIR CONTROLAR AS MÃOS E DEDINHOS DEVIDO AO TEMPO DE VIDA, FEZ 4 MESES ESSA SEMANA, ELA CONSEGUE APERTAR OS BOTÕES E FICA SORRINDO ENQUANTO A MUSIQUINHA TOCA E A LUZ PISCA...ELA PASSA O DIA EMITINDO GRITINHOS...FINOS ÁS VEZES QUE ME DOEM A CABEÇA...PARECE FICAR TREINANDO PARA EMITI-LOS CADA VEZ MAIS FINOS...MAS EU FICO A OBSERVANDO...NÃO EXISTE COISA MELHOR DO QUE O SORRISO DA MINHA PRINCESA...ESSA SEMANA CHEGOU UM RELATÓRIO QUE PEDI AO CENTRINHO, LÁ DIZ QUE O TRATAMENTO SE ESTENDE ATÉ A FASE ADULTA. NÃO VOU DIZER QUE FICO FELIZ COM ISSO, PORQUE LÓGICO QUE EU PREFERIA QUE ELA NÃO TIVESSE A FISSURA, MAS EU FAREI O QUE FOR PRECISO PARA ELA TER O MELHOR TRATAMENTO, E GRAÇAS A DEUS QUE NO BRASIL TEM ALGO TÃO AVANÇADO COMO O CENTRINHO DE BAURU, EU NUNCA VI EM NENHUM HOSPITAL O CARINHO NO ATENDIMENTO COMO NO CENTRINHO. TODOS, AFIRMO TODOS OS PROFISSIONAIS TRANSMITEM O AMOR QUE TEM A PROFISSÃO E AO QUE FAZEM...AGRADEÇO A DEUS POR ELES...AGORA ESTOU CURTINDO MAIS MINHA FILHA, AS PREOCUPAÇÕES EXISTEM, MAS JÁ TENHO OTIMISMO EM RELAÇÃO AO TRATAMENTO QUE ELA TERÁ NO CENTRINHO. MAS, NÃO NEGO QUE ALMEJO PASSAR LOGO ESSES PRÓXIMOS 12 ANOS, PARA EU PODER ENFIM RESPIRAR E DIZER A MINHA FILHA QUE ESSA ROTINA DE HOSPITAL JÁ CHEGOU AO FIM. EU REALMENTE NÃO CONSIGO IMAGINAR O QUE MÃES COM PROBLEMAS QUE COMPROMETEM A VIDA DE SEUS FILHOS PASSAM, PORQUE A FISSURA NÃO COLOCA A VIDA DA SOFIA EM RISCO MAS ME DEU TANTAS NOITES EM CLARO NOS 2 PRIMEIROS MESES, TANTOS ENGASGOS POR LONGOS PERÍODOS E DORES DE OUVIDOS QUE PARECIAM NÃO TER FIM. LÓGICO QUE QUALQUER SEQUELA PODE TER COMPROMETIMENTOS NA VIDA DELA PARA O RESTO DA VIDA, MAS NÃO CAUSA RISCO DE MORTE. A SOFIA CHEGOU DE BAURU GRIPADA E TIVE QUE LEVÁ-LA AO MÉDICO, LÁ TINHA UMA MÃE COM UMA CRIANÇA COM SOPRO NO CORAÇÃO E EU PENSEI: É REALMENTE O QUE É UMA FISSURA PERTO DE UMA DOENÇA QUE PODE LEVAR SEU FILHO DE UMA HORA PARA OUTRA. EU CONVERSO COM A SOFIA DIRETO SOBRE O TRATAMENTO DELA, DE ALGUMA FORMA EU ACHO IMPORTANTE COMUNICÁ-LA DAS DECISÕES QUE TOMAMOS SOBRE A VIDA DELA, EU SEI QUE ELA PODE NÃO ENTENDER, MAS QUERO PASSAR O MÁXIMO DE SEGURANÇA A MINHA FILHA. NÃO QUERO QUE ELA SEJA UMA CRIANÇA INSEGURA, QUERO QUE ELA SAIBA QUE ELA TEM UM PORTO A QUEM RECORRER. QUE FIZEMOS O MELHOR POR ELA. ELA PODE ATÉ UM DIA NÃO RECONHECER, MAS NADA ME FARÁ MAIS FELIZ DO QUE VÊ-LA SEM NENHUMA SEQUELA E FELIZ. GRAÇAS A DEUS MINHA FILHA SE ALIMENTA MUITO BEM, ELA TEM UM ÓTIMO APETITE. PASSO HORAS A FIO SÓ OBSERVANDO ELA DORMIR, IMAGINANDO O QUE DEUS PENSOU EM CADA DETALHE QUE COLOCOU NO CORPINHO DELA, ATÉ MESMO A FISSURA TENHO CERTEZA QUE SERÁ UM TESTEMUNHO NA VIDA DA SOFIA.
SEGUE DADOS DE UM ESTUDO SOBRE ESSA COMPENSAÇÃO.
PESQUISE O LINK A SEGUIR SOBRE ESTE ASSUNTO OU COPIE O LINK ABAIXO E COLE NA SUA BARRA DE ENDEREÇO:
http://revistas.ucg.br/index.php/estudos/article/viewFile/295/239
ESTUDO MUITO INTERESSANTE.
SEGUE DADOS DE UM ESTUDO SOBRE ESSA COMPENSAÇÃO.
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http://revistas.ucg.br/index.php/estudos/article/viewFile/295/239
ESTUDO MUITO INTERESSANTE.
MAMADEIRA IDEAL PARA FISSURADOS NO PALATO MOLE.
A MAMADEIRA INDICADA É A DA KUKA DE BICO BIG ORTODONTICO MÁCIO, SE A CRIANÇA SE ESFORÇA MUITO O IDEAL É ABRIR UM POUCO MAIS O FURO PARA QUE ELA NÃO PERCA MUITA ENERGIA DURANTE AS MAMADAS. ESSA MAMADEIRA E BICOS DIMINUÍRAM OS EPISÓDIOS DE ENGASGOS EM 99% NO CASO DA SOFIA. OBSERVAÇÃO: ESSA É UMA ORIENTAÇÃO GERAL FORNECIDA NO CENTRINHO, PODE SOFRE ALTERAÇÕES DE ACORDO COM CADA CASO.
MAMADEIRA
Barbosa e Scnonberger (1996) asseguram que quando o bebê é alilmentado com chucas e/ou mamadeiras, não recebe estimulação adequada na área sensório-motora, podendo desenvolver uma inabilidade de deglutição devido a hipotonia de musculatura perioral e lingual, acarretando, mais tarde, deformação de arcada dentária e de palato, com mordida aberta anterior ou lateral que dificultará o corte do alimento, a mastigação lateral e a formação do bolo alimentar, podendo, ainda, protruir a língua no momento da deglutição, aumentando mais a deformidade óssea.
Aragão (1991) acredita que na mamadeira, a criança não se cansa como quando mama no peito (pelo trabalho muscular) porque o leite sai com a força da gravidade e o bico muito aberto provoca saturação rápida do estômago, sem esforço.
Sobre bicos de mamadeiras, Soligo (1996) ressalta que o osso é um tecido que reage às pressões que agem sobre ele. Em repouso, há equilíbrio das forças musculares intra e extra-orais, evitando o deslocamento anterior dos dentes. Este equilíbrio de forças musculares pode ser quebrado pelo uso de bico de mamadeira não fisiológico que provoca abertura maior da boca, solicitando trabalho maior do bucinador que pode acarretar problemas ortodônticos.
Já Hernandez (1996) e Proença (1990), em diferentes trabalhos, enfatizam a vantagem do bico ortodôntico de mamadeira, em relação aos bicos comuns. Pela sua forma, o bico ortodôntico auxilia o vedamento labial devido ao seu achatamento e bulbo curto, dá maior apoio aos lábios, favorecendo a pressão negativa intra-oral. Tem furo na região superior do bico, impedindo que o leite caia diretamente na região posterior da cavidade oral, auxiliando o bebê na coordenação sucção-respiração-deglutição, diminuindo engasgos e riscos de asfixia. Ainda pela sua conformação, o bico ortodôntico mais curto, diminui a movimentação e extensão da língua, permitindo a elevação da ponta na cavidade oral, propiciando a preparação das zonas de contato de língua para a deglutição que não prejudique as arcadas dentárias nem a produção fonêmica.
Para Moresca e Feres (1994), quando a alimentação na mamadeira não é feita adequadamente, a criança pode ter suprida sua necessidade nutricional mas não suprir sua necessidade de sucção (quantidade de sucções) e começa a sugar as mãos com voracidade e depois, o polegar. Geralmente isso ocorre quando o bico da mamadeira tem um furo muito grande e a criança não precisa sugar para conseguir a mesma quantidade de leite.
Hernandez (1996) diz parecer consenso entre os autores, que o melhor bico é o que permite ao bebê sugar a quantidade de leite necessária à sua nutrição, em tempo adequado, com boa função motora oral e sem perda excessiva de energia que interfira no ganho de peso. Mas, encontramos alguns guias para "mães de primeira viagem" que orientam a escolha do bico da mamadeira que melhor se adaptar ao bebê, independentemente do formato e sua adequação ao bom desenvolvimento dos órgãos fono-articulatórios. Além disso, orientam sobre o tamanho do furo do bico, em relação a engasgos (furos grandes) mas não citam a necessidade de movimentos adequados de sucção que proporcionem o bom desenvolvimento dos órgãos fono-articulatórios.
Portanto, ao se escolher o bico, devemos considerar: flexibilidade (deve ser suficiente para permitir adaptação à boca), comprimento (que não interfira na direção do crescimento da face que é para frente e para baixo), tamanho do furo, posição na cavidade oral, posição do furo, consistência do alimento, etc.
Proença (1990) chama a atenção para que, apesar das vantagens do uso do bico ortodôntico em relação aos bicos comuns, recomenda seu uso somente até os 2 anos e meio de idade, devendo ser substituído gradativamente pelas papas de frutas, legumes, cereais, pudins, biscoitos, uso de canecas com canudos até o uso de copos comuns.
Em relação ao aspecto emocional, Zen (1985) aconselha às mães que não amamentam no seio, colocar o bebê no colo, na hora da mamadeira pois acredita que o contato terno e aconchegante do momento é imprescindível para o desenvolvimento emocional e físico. Ele diz ainda, que a criança que toma mamadeira deitada no berço necessita mais esforço para mamar, além de precisar esticar a língua forçando-a, provocando uma projeção lingual que pode levar a problemas dentários e de fala.
Xavier (1997) destaca que nos recém-nascidos a tuba auditiva encontra-se em posição horizontal facilitando o escoamento do leite para o canal auditivo, causando graves danos à audição. Portanto, ressalta a importância de se posicionar o recém-nascido praticamente ereto durante as mamadas.
Sobre o aspecto dentário, André e col (1996) escrevem que a cárie dentária da mamadeira afeta crianças de 1 a 3 anos de idade que usam mamadeira frequentemente e com líquido açucarado e que geralmente adormecem ou são alimentados durante o sono, sem que seja feita a higiene oral adequada.
MAMADEIRA
Barbosa e Scnonberger (1996) asseguram que quando o bebê é alilmentado com chucas e/ou mamadeiras, não recebe estimulação adequada na área sensório-motora, podendo desenvolver uma inabilidade de deglutição devido a hipotonia de musculatura perioral e lingual, acarretando, mais tarde, deformação de arcada dentária e de palato, com mordida aberta anterior ou lateral que dificultará o corte do alimento, a mastigação lateral e a formação do bolo alimentar, podendo, ainda, protruir a língua no momento da deglutição, aumentando mais a deformidade óssea.
Aragão (1991) acredita que na mamadeira, a criança não se cansa como quando mama no peito (pelo trabalho muscular) porque o leite sai com a força da gravidade e o bico muito aberto provoca saturação rápida do estômago, sem esforço.
Sobre bicos de mamadeiras, Soligo (1996) ressalta que o osso é um tecido que reage às pressões que agem sobre ele. Em repouso, há equilíbrio das forças musculares intra e extra-orais, evitando o deslocamento anterior dos dentes. Este equilíbrio de forças musculares pode ser quebrado pelo uso de bico de mamadeira não fisiológico que provoca abertura maior da boca, solicitando trabalho maior do bucinador que pode acarretar problemas ortodônticos.
Já Hernandez (1996) e Proença (1990), em diferentes trabalhos, enfatizam a vantagem do bico ortodôntico de mamadeira, em relação aos bicos comuns. Pela sua forma, o bico ortodôntico auxilia o vedamento labial devido ao seu achatamento e bulbo curto, dá maior apoio aos lábios, favorecendo a pressão negativa intra-oral. Tem furo na região superior do bico, impedindo que o leite caia diretamente na região posterior da cavidade oral, auxiliando o bebê na coordenação sucção-respiração-deglutição, diminuindo engasgos e riscos de asfixia. Ainda pela sua conformação, o bico ortodôntico mais curto, diminui a movimentação e extensão da língua, permitindo a elevação da ponta na cavidade oral, propiciando a preparação das zonas de contato de língua para a deglutição que não prejudique as arcadas dentárias nem a produção fonêmica.
Para Moresca e Feres (1994), quando a alimentação na mamadeira não é feita adequadamente, a criança pode ter suprida sua necessidade nutricional mas não suprir sua necessidade de sucção (quantidade de sucções) e começa a sugar as mãos com voracidade e depois, o polegar. Geralmente isso ocorre quando o bico da mamadeira tem um furo muito grande e a criança não precisa sugar para conseguir a mesma quantidade de leite.
Hernandez (1996) diz parecer consenso entre os autores, que o melhor bico é o que permite ao bebê sugar a quantidade de leite necessária à sua nutrição, em tempo adequado, com boa função motora oral e sem perda excessiva de energia que interfira no ganho de peso. Mas, encontramos alguns guias para "mães de primeira viagem" que orientam a escolha do bico da mamadeira que melhor se adaptar ao bebê, independentemente do formato e sua adequação ao bom desenvolvimento dos órgãos fono-articulatórios. Além disso, orientam sobre o tamanho do furo do bico, em relação a engasgos (furos grandes) mas não citam a necessidade de movimentos adequados de sucção que proporcionem o bom desenvolvimento dos órgãos fono-articulatórios.
Portanto, ao se escolher o bico, devemos considerar: flexibilidade (deve ser suficiente para permitir adaptação à boca), comprimento (que não interfira na direção do crescimento da face que é para frente e para baixo), tamanho do furo, posição na cavidade oral, posição do furo, consistência do alimento, etc.
Proença (1990) chama a atenção para que, apesar das vantagens do uso do bico ortodôntico em relação aos bicos comuns, recomenda seu uso somente até os 2 anos e meio de idade, devendo ser substituído gradativamente pelas papas de frutas, legumes, cereais, pudins, biscoitos, uso de canecas com canudos até o uso de copos comuns.
Em relação ao aspecto emocional, Zen (1985) aconselha às mães que não amamentam no seio, colocar o bebê no colo, na hora da mamadeira pois acredita que o contato terno e aconchegante do momento é imprescindível para o desenvolvimento emocional e físico. Ele diz ainda, que a criança que toma mamadeira deitada no berço necessita mais esforço para mamar, além de precisar esticar a língua forçando-a, provocando uma projeção lingual que pode levar a problemas dentários e de fala.
Xavier (1997) destaca que nos recém-nascidos a tuba auditiva encontra-se em posição horizontal facilitando o escoamento do leite para o canal auditivo, causando graves danos à audição. Portanto, ressalta a importância de se posicionar o recém-nascido praticamente ereto durante as mamadas.
Sobre o aspecto dentário, André e col (1996) escrevem que a cárie dentária da mamadeira afeta crianças de 1 a 3 anos de idade que usam mamadeira frequentemente e com líquido açucarado e que geralmente adormecem ou são alimentados durante o sono, sem que seja feita a higiene oral adequada.
ORIENTAÇÃO NUTRICIONAL
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CRIANÇAS COM O INTESTINO PRESO COLOCAR TRÊS AMEIXAS PRETAS DE MOLHO EM UM POUCO DE ÁGUA E APÓS DAR A CRIANÇA.quarta-feira, 27 de junho de 2012
MINHA IDA AO CENTRINHO

quarta-feira, 6 de junho de 2012
COMPLICAÇÕES OTOLÓGICAS EM CRIANÇAS FISSURADAS
Complicações otológicas em crianças
fissuradas
[
Autor(es):
Ariovaldo Armando da Silva*
Oscar Antonio Queiroz Maudonnet**
Palavras-chave:
Keywords: cleft palate; middle ear
Resumo: Os autores relatam as
principais causas das otites freqüentes em fissurados e fazem considerações
sobre o uso de tubos de ventilação.
Introdução
As deformidades palatinas
freqüentemente são acompanhadas de manifestações clínicas associadas e
distantes da cavidade oral. As crianças fissurados apresentam distúrbios no
desenvolvimento da fala, alterações da deglutição, doenças do ouvido médio e
dificuldades adaptativas-sociais. É estimada em 1:500 e 1:750(1) a incidência
de fissura palatina em nascidos vivos, tanto em sua forma isolada como
associada a outras malformações. Em crianças com fissura palatina, a incidência
de otite média varia entre 50% e 90% dos casos, conforme o estudo
realizado(2,3,4,5,6), o que é 30 vezes mais freqüente que nas populações
normais(7) e de fissurados labiais unicamente(1,5). Geralmente as otites são
decorrentes de alterações tubárias e da mucosa nasal. Mesmo em populações
assintomáticas é de 37% a incidência silenciosa de otite(s), demonstrada por
exames timpanométricos(6). Existe déficit auditivo conjuntivo em 90% das
crianças fissuradas com otite média(9,10), sendo geralmente de intensidade leve
ou moderada(7). Observa-se em pouco mais da metade dos casos, escassa
pneumatização bilateral das mastóides(7). As otites freqüentes na infância
podem provocar lesões neurossensoriais(13,14), assim também outras seqüelas
otológicas como retração e perfuração do tímpano(11 ). A incidência de otites
diminui após a correção cirúrgica do palato e também com o avançar da idade do
paciente(11). Este déficit auditivo contribui para comprometer o
desenvolvimento da fala na criança fissurada(12).
As malformações crânio-faciais e
as fissuras palatinas têm origem congênita de base genética (síndrome
cromossômicas) ou adquiridas (por drogas, infecções na gravidez, etc...). As
malformações faciais que atingem o primeiro e - segundo arcos branquiais são
freqüentemente acompanhadas de lesões no ouvido médio, especialmente com
alterações da cadeia ossicular e atresia de condutos e, conseqüente, hipoacusia
condutiva. Ocasionalmente ocorrem malformações do ouvido interno, por comprometimento
do folheto ectodérmico, resultando em surdez neurossensorial(13,14). Poucas
malformações têm surdez mista e de caráter progressivo(14), como é a displasia
crânio-metafiseal. Genericamente, a surdez está presente em mais de 50% dos
pacientes com malformações faciais. Nos estados associados de fissura palatina
e malformações faciais a incidência de surdez aumenta n razão direta do número
de outras malformações presentes(13,14). Ressalta-se que nos fissurados, em s
maioria, as alterações anatômicas buco-naso-faríngeas são as responsáveis pelas
otites médias e conseqüentemente hipoacusia condutiva.
Linguagem e Audição - Aspectos gerais e
no fissurado
A aquisição normal da linguagem
depende de um sistema sensorial auditivo normal, do sistema perceptivo -
integrador central amadurecido estruturado (áreas corticais e sub- corticais
cerebrais) e de um sistema expressivo motor perfeito. É um pr cesso dependente
de aprendizado constante, do estado emociona equilibrado, estimulante e da
realimentação própria do sistema (15). sistema auditivo compreende o ouvi do, o
nervo auditivo, em suas porções e conexões tronculares, sub- corticais,
corticais e em especial lobo temporal.
O sistema auditivo atua como
exteroceptor sonoro e na realimentação acústica das emissões orais,
desenvolvendo e aperfeiçoando a fala. Interessa-nos discutir a porção
periférica. O ouvido possui três porções (externa, média e interna)
anatomicamente situadas em escavações do osso temporal (Fig. 1) e revestidas
por tecidos específicos. O ouvido externo tem função de condução do som do
exterior para a membrana timpânica. O ouvido médio amplifica e conduz o som em
direção ao ouvido interno, utilizando, para isto, a cadeia ossicular. O ouvido
médio possui comunicação com a rinofaringe através da tuba de Eustáquio e tem
por função igualar a pressão entre o ouvido médio e o ambiente.
Fisiologicamente a mucosa da caixa timpânica absorve 1 ml de gás por dia,
determinando queda da pressão do ar interno, que se não reposto pela tuba,
acarretará retração da membrana timpânica até sua total aderência ao fundo da
cavidade(1). A obstrução tubária prolongada provoca secreção serosa no ouvido
médio, fenômeno que é observado experimentalmente após 25 horas de ligação
cirúrgica da tuba, sendo observada após 60 horas uma metaplasia da mucosa da
caixa timpânica(16). A timpanometria é o exame utilizado para estudar a função
tubária e consiste em medir a mobilidade da membrana timpânica e da cadeia
ossicular, revelando alteração da impedância local (resistência). às pressões
externas (positivas ou negativas), quando existir efusão na caixa e/ou retração
timpânica ). No ouvido interno está o região neurossensorial, responsável pela
transdução da mensagem sonora, fenômeno no qual a energia acústica mecânica é
transformada em estímulo neuroelétrico (Fig. 1).
As deficiências auditivas são
divididas em três grupos:
1. Condutivas - quando existe
comprometimento do ouvido externo e/ou médio;
2. Neurossensoriais - quando
existe comprometimento das funções do ouvido interno;
3. Mistas - associação de perda
condutiva e neurossensorial.
O exame audiométrico subjetivo
tonal permite identificar os diferentes tipo de surdez. O teste audiométríco é
aplicado através da estimulação sonora sobre o conduto auditivo externo (via
aérea) e sobre a região mastóidea (via 6ssea) (Fig. 2). No caso das patologias
Condutivas a transmissão por via aérea está prejudicada, enquanto a transmissão
por via 6ssea mantém-se inalterada. Nas lesões neurossensoriais, tanto a via
aérea como a via óssea estão igualmente prejudicadas. Os limiares das
intensidades sonoras percebidas são determinados em diferentes freqüências e
registrados em gráfico adequado.
A classificação das intensidades
das perdas auditivas é suas conseqüências sobre a recepção dos sons da fala são
analisadas no esquema n°1.
Nos casos das otites em
fissurados, a surdez geralmente é condutiva, de intensidade leve a moderada e
devido à disfunção tubária. Está caracterizada na fala dos pacientes, por
substituição de consoantes (especialmente as surdas-sonoras), alterações da
emissão de vogais, nasalidade e sigmatismo(7). A linguagem como processo mais
amplo, dependente do pensamento, não é alterada por este déficit auditivo(17).
Fig. 1
Fig. 2 - Transmissão do som por
via óssea (V.O.) e via aérea (V.A.)
Fisiopatologenia
As complicações do ouvido médio
dependem de três fatores, todos envolvendo basicamente a função tubária, e são
eles:
A) Fator mecânico - compreende os
itens:
1) existe desequilíbrio muscular
faríngeo devido à fenda. A falta de apoio mediano inferior do periestafilino
interno e, em menor grau, do periestafilino externo, compromete a função
muscular tubária08).
2) existem perturbações
funcionais tubárias decorrentes das manobras cirúrgicas no periestafilino
externo(18);
3) durante o ato cirúrgico a
não-preservação do humulus pterigóideo (estrutura que serve de apoio à
musculatura tubária), provoca disfunção tubária(17); outros autores(5),
entretanto, não observaram este aspecto;
4) existem distúrbios
relacionados com a pressão negativa que é criada no cavum pelos movimentos de
deglutição e respiração, que, transmitidos diretamente pela fissura à tuba e
ao. ouvido médio, provocam colapsos e insufléncia de aeração na caixa
timpânica(5);
5) observa-se diminuta inclinação
tubária no recém-nato, favorecendo a entrada de líquidos do cavum à caixa
timpânica. Somente aos seis anos de idade, a tuba adquire a inclinação normal
observada no adulto(5.20);
6) existe pequena capacidade no
ouvido médio em crianças (0,3 cc de água) para a acomodação de líquidos. Aos
seis anos a caixa timpânica atinge o volume de 0,6 a 0,8 cc de água, comum
ao adulto(19,20).
B) Fator inflamatório -
compreende os itens:
1) a hipertrofia e a infecção
adenoideana, impedem a aeração e o fluxo normal das secreções do cavum,
contaminando a tuba e o ouvido médio(5);
2) as alterações da mucosa nasal
e da função ciliar, ocasionadas pelo refluxo buco-nasal, levam ao aparecimento
de hipertrofia e granulação inflamatória local, ocasionando edema peritubário(5);
3) a reação vasomotora do cavum,
devido ao contato com ar frio e seco aspirado pela boca, evolui com edema
tubário(s);
4) a alteração da viscosidade
nasal e tubária, com colapsos freqüentes da tuba, compromete a aeração da caixa
timpânica.
C) Fator imunitário - vasomotor:
As rinites alérgicas, as vasomotoras e as deficiências imunitárias, evoluem com
edema e hiperplasia da mucosa nasal e tubária, favorecendo o aparecimento das
otites(18). Supõe-se que as alterações morfológicas do fissurado modificam as
taxas de imunoglobulinas específicas da região, ocasionando queda da
resistência às infecções(18).
Quadro clínico das otites médias
O quadro agudo das otites em
crianças, caracteriza-se por otalgia febre, às vezes diarréia, queda do estado
geral e meningismo. Pelo exame, observamos o tímpano abaulado, hiperemiado, com
exsudato purulento ou micro-hemorrágico(18). O
processo crônico, originado de
otite aguda não resolvida ou de disfunção tubária persistente, caracteriza-se
por apresentar tímpanos róseo-alaranjados, espessados, vascularizado abaulados
ou retraídos. Este quadro crônico evolui em surtos de reagudização, quando
volta a apresentar otalgia e febre(21). Ocasionalmente ocorre perfuração
espontânea da membrana timpânica, devido ao aumento da pressão local pelo
líquido acumulado, com aparecimento da otorréia purulenta. As perfurações
timpânicas no quadrante superior podem complicar com o desenvolvi mento de
colesteatoma, que é massa epitelial crescendo para dentro da caixa timpânica,
erodindo ossículo: e mastóide. Os quadros agudos ( crônicos, mal resolvidos,
podendo evoluir para meningite, abscesso cerebral e trombose vascular cerebral
Freqüentemente, o caráter espoliativo de infecções repetidas na infância pode
ocasionar déficit do desenvolvimento pôndero-estrutural( 1,3,5,17,21).
Tratamento
A correção da fissura palatina
reduz sensivelmente, em até 80% do: casos, o aparecimento de otites(e).
A curetagem exclusivamente na
região peritubária da adenóide hipertrofiada favorece a aeração, reduzindo o
refluxo de secreção purulenta do cavum para a caixa timpânica(18).
A correção clinica dos quadros de
rinites alérgica e vasomotora (cor utilização de vacinas, corticóides
cromoglicato dissódico, anti-histaminicos, esportes, etc.) permite melhorar a
função nasal e tubária(5).
A correção das otites médias
baseia-se clinicamente na utilização de medicamentos como antibióticos,
fluidificantes e antinflamatórios. Os casos crônicos são resolvidos
cirurgicamente pela inserção de drenos transtimpânicos (1 ,18,22). Como os
quadros de otite têm aparecimento precoce, muitas vezes ainda no período
neo-natal, e são persistentes, muito se discute sobre a melhor época para a
colocação do dreno. Alguns autores(5,8) propõem inserção precoce do dreno já
aos três meses de idade e, em caso de expulsão, tomam a reinseri-lo quantas
vezes for necessário. Justificam este comportamento em função das complicações
otológicas tardias que possam ocorrer, como a otite adesiva, o tolesteatoma e a
timpanosclerose. Outros autores (20.23) acreditam que a inserção do dreno deve
ocorrer, se necessário, somente no momento da correção do palato. Argumentam
que a inserção precoce favorece o aparecimento de otorréia persistente,
superinfecção e perfuração residual. Outros(18), consideram que a retração
timpânica não é tão significativa e pode ser controlada unicamente por
medicamentos, sendo resolvida espontaneamente aos seis anos de idade, não
indicando cirurgia.
Entretanto, é conveniente
analisar cada paciente particularmente, não esquecendo que é mais fácil
ventilar um ouvido pela drenagem do que corrigir eventual otite adesiva ou
colesteatoma secundário.
As complicações otológicas, como
perfurações e colesteatomas, implicam em correção cirúrgica apropriada e, às
vezes, urgente.
Exercícios fonoterápicos de
deglutição, respiração e massagens no véu palatino podem ajudar a reconduzir a
tuba de Eustáquio à função normal, reduzindo as recorrências de otites
médias(s).
As malformações do ouvido externo
de origem genética, como atresia ou agenesia, requerem cirurgia plástica
corretiva para alargamento do conduto, na idade apropriada. As malformações da
cadeia ossicular podem ser amenizadas com a implantação de enxertos totais do
ouvido médio (membrana timpânica e ossículos de um doador).
A deficiência auditiva
neurossensorial ou condutiva, de intensidade não compatível com a comunicação
normal, pode ser beneficiada com o uso de aparelho de amplificação sonora
individual. Neste caso, achamos conveniente apoio fonoaudiológico específico.
Devido à complexidade dos quadros
otológicos em fissurados, como também a gravidade do prejuízo funcional que
podem representar na comunicação humana, achamos conveniente o acompanhamento
por médico otologista.
Summary
The authors related the principals causes of
the otological complications en cleft palatal and, the use of ventilation's
tubes in the therapy.
Agradecimentos
Dra. Ana Maria F. Simões Bianchi
Revisão Bibliográfica
Dr. Dallas Irany De Conti
Desenho
Fundação Affonso Ferreira
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* Médico ORL e Foniatra do
Instituto Penido Burnier
** Médico ORL do Instituto Penido
Burnier
Endereço para correspondência:
Av. Andrade Neves, 511- CEP 13020 -Campinas -SP - Fone: (0192) 2-1027
Indexações: MEDLINE, Exerpta
Medica, Lilacs (Index Medicus Latinoamericano), SciELO (Scientific Electronic
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Nacional A, Qualis Internacional C
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